‘Espiral – O Legado de Jogos Mortais’ traz mais mistério e menos sangue; G1 já viu

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Filme marca a volta do diretor de três capítulos da franquia, em busca de revitalização. Chris Rock é protagonista e produtor de longa com participação de Samuel L Jackson. Assista ao trailer do filme “Espiral – O Legado de Jogos Mortais”
Assim como “Velozes e Furiosos”, a franquia “Jogos Mortais” continua com um grande fã-clube, mesmo que algumas de suas sequências não tenham sido boas.
Um desses fãs é Chris Rock (“Gente Grande”), que decidiu produzir, estrelar e escrever (sem crédito oficial) uma espécie de continuação dos elaborados (e sanguinolentos) jogos criados pelo vilão Jigsaw (Torbin Bell).
Lançado cinco anos depois do último capítulo, “Espiral – O Legado de Jogos Mortais” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (17).
O filme traz todos os elementos que fizeram a franquia se tornar um sucesso entre os fãs do terror, com personagens dúbios, algum suspense e, principalmente, explosivas cenas com sangue e tripas.
Chris Rock e Max Minghella numa cena do filme “Espiral – O Legado de Jogos Mortais”
Divulgação
Assim, acompanhamos a história do detetive Ezekiel “Zeke” Banks (Chris Rock). Ele tem problemas de relacionamento com o seu pai, o veterano Marcus Banks (Samuel L Jackson).
Zeke começa a receber estranhas mensagens de um serial killer que está atacando policiais com requintes de brutalidade e que se assemelham aos métodos de Jigsaw.
Como o criminoso já está morto há bastante tempo, o protagonista, ao lado do parceiro novato William Schenk (Max Minghella, da série “The Handmaid’s Tale”), procura entender as pistas para descobrir quem está por trás desses jogos antes que surjam novas vítimas, inclusive pessoas próximas.
Samuel L Jackson numa cena do filme “Espiral – O Legado de Jogos Mortais”
Divulgação
Sadismo light
Ao contrário dos filmes anteriores, desta vez não há exagero e as cenas vão diminuindo a intensidade à medida que a trama avança. O filme investe mais no mistério despertado pelos atos do serial killer e na investigação para revelar sua identidade.
Assim, quem for assistir ao filme esperando aquela tensão causada pelo incômodo de ver pessoas sendo trucidadas com requintes de sadismo pode se decepcionar.
O diretor Darren Lynn Bousman (o cara por trás da segunda, terceira e quarta partes de “Jogos Mortais”) mostra tudo de forma mais contida e sem ser muito espalhafatoso.
O problema é que o cineasta, embora querendo fazer algo diferente em relação ao que já foi visto na franquia, não consegue criar um bom clima de suspense. Isso deixa o espectador pouco envolvido com o mistério do protagonista com o serial killer.
Em alguns momentos, parece que houve alguma inspiração em “Seven – Os Sete Crimes Capitais”. Mas o diretor, definitivamente, não é David Fincher.
Isso também se deve ao roteiro pouco inspirado escrito por Josh Stolberg e Pete Goldfinger, também autores de “Jogos Mortais: Jigsaw”. A dupla tenta recriar o efeito surpresa obtido por James Wan (“Invocação do Mal”, “Aquaman”) e Leigh Whannell (“O Homem Invisível”) no primeiro filme.
O problema é que as reviravoltas em “Espiral” são tão simples que são fáceis de prever, principalmente na parte final da trama, resultando numa grande decepção. Pelo menos, o filme é melhor do que os três últimos capítulos da série, mas ainda assim bem aquém do original.
Protagonista sem carisma
Chris Rock interpreta o detetive Ezekiel “Zeke” Banks em “Espiral – O Legado de Jogos Mortais”
Divulgação
Outro problema em “Espiral – O Legado de Jogos Mortais” está na interpretação de Chris Rock. O ator, mais conhecido por seus papéis cômicos no cinema e a criação do seriado “Todo Mundo Odeia o Cris”, tem procurado se reinventar artisticamente, como na série “Fargo”.
No entanto, ele não consegue convencer como um detetive atormentado e parece sempre que vai contar uma piada em cenas mais dramáticas. Essa impressão aumenta com as exageradas caretas.
Melhor sorte tem Samuel L Jackson, que transmite bem a ambiguidade de seu personagem, aliada ao seu jeito descolado e durão de sempre. Já Max Minghella não compromete como o parceiro de Zeke, dando uma certa inocência que nunca parece artificial ou forçada. O resto do elenco não compromete, mas não chama a atenção.
Embora trabalhe com referências consagradas da franquia, que podem agradar aos fãs, “Espiral – O Legado de Jogos Mortais” acaba se tornando um episódio mediano da série, que até pode satisfazer a sede por quem deseja mais material desse universo.
Mas não deve ficar como um dos mais lembrados da franquia, mesmo com chances de ganhar uma ou mais continuações. Só que é melhor elaborar jogos mais intrigantes e (por que não?) mais divertidos.

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