As obras e os obreiros

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Deus! ó Deus! onde estás que não respondes?

Em que mundo, em qu’estrela tu t’escondes

Embuçado nos céus?

Há dois mil anos te mandei meu grito,

Que embalde desde então corre o infinito…

Onde estás, Senhor Deus?…

O brado do poeta Castro Alves (foto) em sua obra “Vozes D´África” é quase um lamento adequado para os tempos atuais. Onde mesmo estará Deus que não está vendo o que os seus ministros e os ministros de Bolsonaro andam fazendo. Os de Bolsonaro a gente tenta dar tenência. Mas os ministros do Senhor, o que fazer? Seus representantes nesta terra de Tupã estão usando seu santo nome em vão e usando de tretas, malícias, safadezas e malandragens. Seus pastores cada vez mais envolvidos em ilícitos, em engodos ou matulagens.

Deus, o Senhor lembra daquele pastor, seu ministro, que estava vendendo água “consagrada” para curar a Covid-19 antes da Ciência descobrir como fazer a vacina? E aquele outros que vendia pílulas feitas de trigo om o mesmo intuito? Isso sem falar em tantos que estão usando Seu santo nome em vão.

Veja agora que seus obreiros, segundo está nos jornais, estão se metendo até em obras que não são em louvor ao Senhor. São obras físicas. Estão pegando o que é do governo, com anuência a orientação dele – portanto pegando do povo – o dinheiro para oferecer às prefeituras de todo o Brasil. Aí o Senhor me pergunta o que há de errado nisso, se trata-se de coisa boa, que leva obras para as populações carentes. Mas eu respondo que não é não. Os pastores que frequentam os bastidores do ministério da Educação foram orientados a somente dar a verba ao prefeito que der o feedback. E só recebe quem pedir através do Seu representante aqui na Terra, que é também do presidente Jair Bolsonaro.

Mas, como o Diabo atenta, não é que um dos prefeitos procurados pelos pastores gravou a conversa. Numa denúncia o prefeito do município de Luís Domingues, no Maranhão, Gilberto Braga, do PSDB, assegurou – e provou – que um dos Vossos pastores que controlam o gabinete paralelo no Ministério da Educação demandou pagamentos em dinheiro. Uma parte. Por que a outra parte, quando a verba saísse do ministério, teria que ser e ouro. O metal dourado e raro em troca da liberação de recursos para a construção de escolas e creches. Seu pastor teria pedido 1 quilo, o que vale dizer que queria mais de 300 mil reais de “comissão” e não existem evidências de que ele já teria recebido de outros prefeitos e pior: não estaria propenso a oferecer o Seu dízimo.

Senhor, esse negócio de ser pastor e “obreiro” de obras públicas é uma coisa boa. Bom emprego. Talvez o Senhor não saiba, mas no Brasil tem 5.568 municípios. Multiplique por 300 reais. Deixa que eu mesmo faço. Rapaz, vai dar quase bilhão e meio de reais. Mas vamos lá: se somente metade dos prefeitos aceitar? Se apenas 10 por cento aceitarem? É melhor que Megasena. Pare e imagine Seu dízimo.

Mas o ministro da Educação explicou que a sua prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar. Está escrito.

– Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim – justificou entornando mais ainda o caldo do ouro derretido.

Senhor, o Diabo está solto.

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