Contas externas têm déficit de US$ 11,8 bi em janeiro Featured

22 Fev 2020
6 times

As contas externas registraram saldo negativo de US$ 11,879 bilhões, em janeiro, informou hoje (21) o Banco Central (BC). Em janeiro do ano passado o déficit em transações correntes (contas externas), compras e vendas de mercadorias e serviços e transferências de renda do Brasil com outros países, era menor: US$ 9,045 bilhões. O déficit de janeiro deste ano foi o maior para o mês desde de 2015, quando foi registrado saldo negativo de US$ 12,010 bilhões.

Segundo o BC, o aumento do déficit no início deste ano decorreu do saldo negativo da balança comercial (exportações e importações de mercadorias), chegando a US$ 2,563 bilhões. Em janeiro de 2019, houve superávit comercial de US$ 1,056 bilhão.

De acordo com o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, o resultado da balança comercial foi impactado pelo recuo de 19,5% nas exportações de bens, que totalizaram US$ 14,501 bilhões em janeiro de 2020, contra US$ 18,023 bilhões, em igual mês de 2019. Segundo ele, geralmente, as exportações são menores em janeiro, mas neste ano foram afetadas pela crise argentina que reduziu a demanda por manufaturas brasileiras, pelos impactos do desastre de Brumadinho e pela desaceleração da economia chinesa.

Rocha disse ainda que não há dados suficientes para confirmar que o coronavírus esteja impactando as exportações brasileiras, mas há sinais de que isso acontece por efeito da ampliação do feriado na China e fechamento de fábricas. “A gente não tem ainda informações para comprovar ou refutar essa hipótese. É provável que tenha tido uma diminuição da demanda chinesa”, disse.

Rocha acrescentou que, por outro lado, houve menor pagamento de juros para investidores estrangeiros o que fez a conta de renda primária ter um déficit menor. Em janeiro, as remessas de juros chegaram a US$ 4,002 bilhões contra US$ 4,617 bilhões no mesmo mês do ano passado. No total, a conta renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) ficou negativa em US$ 6,766 bilhões no mês, contra US$ 7,272 bilhões, em janeiro de 2019.

No total, a conta renda primária (lucros e dividendos, pagamentos de juros e salários) ficou negativa em US$ 6,766 bilhões no mês, contra US$ 7,272 bilhões, em janeiro de 2019.

A conta de renda secundária (renda gerada em uma economia e distribuída para outra, como doações e remessas de dólares, sem contrapartida de serviços ou bens) teve resultado positivo de US$ 108 milhões no mês, acima do resultado de igual período do ano passado, que ficou em US$ 12 milhões.

A conta de serviços (viagens internacionais, transporte, aluguel de investimentos, entre outros) apresentou saldo negativo de US$ 2,659 bilhões no mês passado, contra US$ 2,841 bilhões, em janeiro de 2019.

Viagens internacionais

Em janeiro, as despesas de brasileiros em viagem ao exterior totalizaram US$ 1,438 bilhão, resultado menor do que em igual mês de 2019, de US$ 1,689 bilhão. Ao serem consideradas as receitas de estrangeiros no Brasil e as despesas dos brasileiros no exterior, a conta de viagens registrou déficit de US$ 857 milhões, em janeiro, o menor déficit para o mês desde janeiro de 2016 (US$ 190 milhões).

A redução dos gastos de brasileiros no exterior, e por consequência, do saldo negativo da conta de viagens internacionais, é explicada pelo dólar mais caro: em janeiro de 2019, a taxa média estava em R$ 3,74, enquanto no mês passado, chegou a R$ 4,15, com alta de 10,9%. “Isso torna os gastos dos turistas brasileiros maiores e com isso há uma tendência de redução nas despesas”, Rocha.

Segundo Rocha, a previsão é de que a redução nas despesas dos brasileiros e do saldo da conta de viagens continue a ocorrer neste mês. Em fevereiro, até o último dia 19, as receitas de estrangeiros em viagem no Brasil chegaram a US$ 316 milhões e as despesas totalizaram US$ 678 milhões, com saldo negativo em US$ 362 milhões. “Estamos caminhando para ter uma redução adicional no déficit de viagens internacionais no mês de fevereiro”, disse. Segundo Rocha, a vinda de estrangeiros para o carnaval no Brasil afeta o resultado da conta de viagens, mas o “efeito da despesa [de brasileiros no exterior] é mais forte”.

Investimento estrangeiro

Em janeiro, o investimento direto no país (IDP) chegou a US$ 5,618 bilhões, contra US$ 5,828 bilhões em igual mês do ano passado.

Quando o país registra saldo negativo em transações correntes, precisa cobrir o déficit com investimentos ou empréstimos no exterior. A melhor forma de financiamento do saldo negativo é o IDP, porque os recursos são aplicados no setor produtivo.

No mês passado, o IDP não foi suficiente para cobrir o déficit em transações correntes, mas Rocha afirmou que a forma mais adequada de fazer essa comparação é com períodos mais longos. Ele destacou que em 12 meses, o IDP chegou a US$ 78,4 bilhões (4,26% do Produto Interno Bruto - PIB – soma de todos os bens e serviços produzidos no país), enquanto o déficit em transações correntes ficou em US$ 52,3 bilhões (2,85% do PIB).

“Os investimentos diretos ainda superam por larga margem as transações correntes e garantem um financiamento estável do balanço de pagamentos”, disse. Rocha explicou que esses investimentos são importantes para o país por contribuir para ampliar a capacidade produtiva e também por melhorar a eficiência.

Para fevereiro, a previsão é que o IDP chegue a US$ 6,1 bilhões. Neste mês, até o dia 19, o IDP estava em US$ 4,4 bilhões. E o déficit em transações correntes deve ficar em US$ 4 bilhões, neste mês.

Matéria ampliada às 12h47 e corrigida às 14h40. Diferentemente do informado no quinto parágrafo, o pagamento de juros para investidores estrangeiros foi menor neste ano e não maior

FONTE: AGÊNCIA BRASIL

Rate this item
(0 votes)

Leave a comment

Make sure you enter the (*) required information where indicated. HTML code is not allowed.

Tela Noticia acima de tudo, representa jornalismo com seriedade em busca da verdade por trás dos fatos!

Lives Facebook

GALERIA FATO VERDADE