O cenário pós-pandemia para quem trabalha em Feira

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Não existem estatísticas recentes, mas a situação do trabalhador aqui na Feira de Santana, após os momentos mais agudos da pandemia, não deve ser nada confortável. Os efeitos econômicos, aliás, serão sentidos durante muito tempo ainda. Não adiante esperar milagre, nem salvador da pátria, nem poção liberal mágica, nem redenção automática pela mão invisível do “deus mercado”. É bom lembrar que, mesmo antes da pandemia, o cenário já era funesto.

Em 2019 – as informações são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, e estão disponíveis no site da instituição – o trabalhador feirense embolsava, em média, 1,9 salário-mínimo. O valor equivalia apenas à 118ª melhor renda na Bahia – são 417 municípios no total – e à remota 2.553ª colocação entre os 5.570 municípios brasileiros. Quanto o feirense, em média, deve estar embolsando depois de dois anos de pandemia? É uma indagação ainda sem resposta.

Naquele ano a força de trabalho feirense era composta por 134,4 mil pessoas, o que coloca o município no segundo lugar na Bahia e na 49ª colocação no Brasil. Vale lembrar que a Feira de Santana figura entre as maiores cidades do País e, portanto, a colocação pode ser considerada natural.

Percentualmente, porém, as desvantagens relativas ficam evidentes. Essas 134,4 mil pessoas trabalhando correspondiam a 21,9% do total da população estimada para o município. Na comparação com a Bahia ocupamos apenas a 15ª colocação e, no Brasil, posição bem mais modesta: 1157º lugar. O que os números evidenciam? Que, relativamente, o mercado de trabalho feirense é menos dinâmico na comparação com municípios similares.

Em 2019 o Brasil enfrentava a quinta temporada de crise econômica entrelaçada com estagnação, combinadas aos efeitos iniciais da maléfica reforma trabalhista legada por Michel Temer (MDB-SP), o mandatário de Tietê. De lá para cá muita desgraça aconteceu: a pandemia da Covid-19, o avanço do catastrófico desgoverno de Jair Bolsonaro, o “mito” e, obviamente, a irradiação dos efeitos da “modernização trabalhista”, que se traduziu em crescente precariedade.

Quando novos números vierem à tona – tudo se tornou imprevisível neste País – provavelmente refletirão esse conjunto de mazelas. Somados a elas estão os efeitos da corrosão inflacionária, que vem penalizando justamente os mais pobres, com preços – sobretudo de alimentos – em ascensão vertiginosa.

Para aferir a situação – intuir é mais adequado – basta circular pelas ruas, observar lojas, mercados, supermercados, restaurantes, os grandes espaços de compras. Muito menos gente compra e, quem compra, compra menos que no passado. Não é à toa que a economia anda de lado, apesar dos esforços de prestidigitação dos visionários do desgoverno de plantão, alegando o contrário.

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