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Espanha retira 33 títulos dadas por ditador Franco

Espanha retira 33 títulos dadas por ditador Franco

Medida faz parte de nova ‘Lei da Memória Democrática’, que entrou em vigor nesta sexta (21) no país. Netos do ditador – que comandou uma das mais duras ditaduras da Europa, de quase quatro décadas -, além de generais e ministros perderam honrarias. A Espanha aboliu 33 títulos de nobreza concedidos pelo ditador Francisco Franco – que comandou o país de 1936 a 1973 – e seu sucessor a leais tenentes e familiares.
A medida faz parte da nova lei de Memória Democrática, que entrou em vigor nesta sexta-feira (21) no país.
Dois dos netos de Franco, assim como descendentes de vários de seus principais generais, ministros e outros altos funcionários perderam o título de nobreza que lhes havia sido concedido pelo ditador, que comandou com linha dura um regime militar de quase quatro décadas que deixou quase 500 mil mortos e desaparecidos.
A lei, que recentemente superou seu último obstáculo parlamentar na Câmara Alta, equipara “glorificar os perpetradores de crimes contra a humanidade” com a humilhação das vítimas do regime de Franco e elimina títulos que exaltam a guerra civil e a ditadura militar.
A maioria dos títulos foi concedida pelo próprio Franco como recompensa pela lealdade, cinco pessoas afetadas pela lei foram enobrecidas por seu sucessor como chefe de Estado, o ex-rei Juan Carlos I, nos primeiros meses de seu reinado após a morte de Franco.
Francisco Franco Martinez-Bordiu, o neto mais velho do autocrata que herdou o senhorio de Meiras da viúva de Franco, Carmen Polo, descreveu a abolição do título como “absurdo sem quaisquer efeitos práticos” em uma entrevista de julho ao jornal “El Independiente.”
“Continuarei a ser Senhor das Meiras (título concedido a ele pelo avô ditador) mesmo que o governo não o reconheça”, disse.
Sua irmã, Carmen Martinez-Bordiu, a única filha de Franco, será destituída do Ducado de Franco, concedido pelo então rei Juan Carlos I – que abdicou do trono em favor de seu filho, o atual rei Felipe VI.
Outros afetados pelo projeto incluem parentes do fundador do partido fascista Falange, José Antonio Primo de Rivera, e descendentes dos generais Gonzalo Queipo de Llano e Juan Yagüe, que ordenaram massacres de civis nas cidades de Sevilha e Badajoz, respectivamente.
Franco assumiu o poder na Espanha depois de liderar um golpe militar contra o governo de esquerda eleito da Frente Popular da Segunda República, que resultou em uma guerra civil de três anos, a Guerra Civil Espanhola.
Nova lei
Quatorze anos após a Espanha aprovar sua primeira Lei de Memória Histórica, a nova legislação aprovada pelo governo de centro-esquerda visa eliminar brechas e cobrir uma gama mais ampla de vítimas e crimes relacionados a Franco.
A medida também promove a busca e exumação de vítimas enterradas em mais de 3.000 valas comuns documentadas. Pelo menos 114.000 civis desapareceram à força durante a guerra e a repressão subsequente, de acordo com uma decisão judicial de 2008.

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