
Metade dos republicanos que concorrem ao Congresso na terça-feira repete as mentiras propagadas por Trump em 2020, questionando a lisura do processo antes do voto Grupo de negacionistas armados que reivindicavam vitória de Donald Trump em 2020, quando ex-presidente perdeu eleições para democrata Joe Biden
Ted S. Warren/ AP
Num repeteco do que o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump fez em 2020, os negacionistas que propagam mentiras sobre as eleições de meio de mandato no país e intimidam eleitores tornaram-se o maior pesadelo do presidente americano. Fomentam a fidelidade à chamada “Grande Mentira”, promovida pelo ex-presidente americano sobre a sua derrota eleitoral.
As pesquisas indicam que os democratas devem perder o controle da Câmara para os republicanos e que a disputa pelo Senado ainda está em aberto. Biden alertou, mais uma vez, na quarta-feira, que a democracia está sob ataque, e ele está certo.
A pesquisa New York Times-Sienna College de outubro mostrou que 71% dos eleitores registrados compartilham dessa ideia. O presidente responsabilizou o antecessor Donald Trump por alimentar divisões no país e estimular o negacionismo eleitoral.
Os candidatos que abraçam as falsas teorias de fraude são apoiados pelo ex-presidente e se encontram justamente nos estados que decidirão quem controlará a Câmara dos Representantes e o Senado: Pensilvânia, Arizona, Michigan, Flórida, Texas, Wisconsin e Geórgia.
Nos cálculos do Brooking Institution são 249 candidatos negacionistas, todos republicanos. Biden contabilizou 300, mais da metade dos que concorrem ao Congresso. Concorrem apenas para ganhar, sugerindo que, se forem derrotados, não aceitarão os resultados.
As mentiras sobre a veracidade das eleições de meio de mandato se alastram em velocidade galopante nas mídias sociais. Uma análise do site Politico nas redes Twitter, Facebook e em plataformas marginais – que não moderam o conteúdo – revelou a adulteração das cédulas e a privação dos direitos de eleitores de direita como as principais acusações inverídicas.
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Biden condena contestação de resultado de eleições
As táticas da desinformação colam nesses eleitores. Basta dizer que quase 70% dos republicanos ainda não consideram legítima a presidência de Biden. “Esse é o caminho para o caos nos EUA. É inédito. É ilegal. E é antiamericano. Como eu disse antes, você não pode amar seu país apenas quando ganha”, advertiu o presidente.
Se no Brasil a rapidez na contagem dos votos, graças à urna eletrônica, ajuda a dirimir o ambiente de desconfiança propagado por negacionistas, nos EUA a tabulação é mais lenta e pode demorar dias.
Aliados do ex-presidente Trump e as mídias extremistas se aproveitam disso para corroer a confiança do público no processo eleitoral, espalhando teses fantasiosas que são reverberadas como críveis.
Uma das mais delirantes é a de que 40 mil cédulas marcadas com o nome de Biden teriam sido enviadas da China para o condado de Maricopa, em Phoenix, no Arizona, que em 2020 postergou a apuração até o último voto.
Quem acreditou nisso defendeu até a busca de fibras de bambus nestas cédulas.



