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Empreendedores negros sofrem mais com dívidas do que brancos, diz pesquisa

Empreendedores negros sofrem mais com dívidas do que brancos, diz pesquisa


Veja dicas da especialista do Google, Christiane Silva Pinto, para os afroempreendedores. Dívidas atingem mais empreendedores negros do que brancos, diz pesquisa
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Os empreendedores negros enfrentam maiores dificuldades financeiras e sofrem mais com o endividamento na comparação com os brancos. É o que mostra o estudo “#CoisaDePreto: Uma pesquisa sobre a real jornada dos afroempreendedores brasileiros”, divulgado pelo Google.
De acordo com a pesquisa, 21% dos entrevistados negros têm entre 60% e 90% do faturamento de seus negócios comprometidos com dívidas. Já a porcentagem de brancos com a mesma parcela comprometida é bem menor, de 14%.
A diferença é maior se considerados os que começaram o negócio há menos de 6 meses: 17% dos negros têm 100% do faturamento comprometido com dívidas, enquanto a porcentagem entre brancos é de 9%.
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Quando observada a parcela de empreendedores com menos de 10% do orçamento comprometido, os brancos são maioria: 26%, frente a 19% no caso dos negros.
A gerente de marketing para pequenas e médias empresas no Google Brasil e fundadora do AfroGooglers, Christiane Silva Pinto, aponta o racismo estrutural como um dos principais causadores desse cenário. Segundo ela, a população negra tende a entrar no empreendedorismo por necessidade.
“É nessa estrutura que uma pessoa negra vai acumulando desigualdades ao longo da vida e é impelida para o empreendedorismo por sobrevivência. Já uma pessoa branca, com condições mais favoráveis, começa a empreender visando o sucesso, com visão de dono, com planos estruturados de negócios, com referências empreendedoras próximas do núcleo mais íntimo dela”, analisa.
Christiane Silva Pinto, gerente de marketing para pequenas e médias empresas no Google Brasil
Divulgação/Google for Startups
Desigualdade financeira
De acordo com o estudo, a desigualdade financeira também se reflete nos planos para o negócio. Enquanto 40% dos negros classificam como um dos principais desafios as contas a pagar e outros 28% conseguir um financiamento, entre os brancos as proporções são de 31% e 21%, respectivamente.
“Os dados reforçam a necessidade e importância de o mercado continuar investindo em iniciativas para impulsionar o empreendedorismo no país, principalmente para os empreendedores negros, que continuam enfrentando muitas barreiras para empreender, muitas vezes ligadas ao racismo estrutural, como a maior dificuldade de acesso ao crédito”, explica Christiane.
Confira os principais pontos da pesquisa
21% dos negros têm entre 60% e 90% do faturamento comprometido com dívidas, frente a 14% dos brancos;
entre os negros que começaram o negócio há menos de 6 meses, 17% têm 100% do faturamento comprometido com dívidas, enquanto a porcentagem dos brancos é de 9%;
40% dos empreendedores negros têm contas a pagar como um dos principais desafios; entre os brancos, parcela é de 31%;
mais de 80% dos entrevistados – sejam negros (84%) ou brancos (85%) – apostam no aporte financeiro como forma de alavancar seus negócios.
A pesquisa também indica que, de forma geral, os empreendedores estão esperançosos e otimistas com a recuperação econômica, apesar dos desafios vividos durante o pico da pandemia. Ao todo, 73% dos entrevistados negros e 74% dos brancos acham que seus negócios vão crescer nos próximos meses.
“É importante reforçar que o empreendedorismo não livra o empreendedor negro do racismo: tendo crédito negado, ou há casos, inclusive, que donos de negócio negros têm dificuldade de serem reconhecidos como ‘donos’ em espaços como feiras de venda, por exemplo”, diz Christiane.
O estudo, encomendado pelo Google à empresa de pesquisa de mercado Offerwise, foi dividido em etapas qualitativa e quantitativa, e entrevistou 1.000 empreendedores de todo o Brasil, sendo 500 brancos e 500 negros (somando pretos e pardos que se identificam como afrodescendentes). O período de entrevistas foi de julho a outubro de 2022.
O que fazer?
Confira dicas da especialista Christiane Silva Pinto para o afroempreendedor:
Buscar investir em conhecimento e tecnologia, sejam treinamentos para si próprio ou para conhecer mais sobre as plataformas digitais que possam ajudar a alavancar o empreendimento.
Apoiar-se na comunidade – dica principalmente para as empreendedoras – seja para ter uma ajuda esporádica no negócio, para aprender uma técnica nova com uma pessoa do bairro ou até mesmo só para conversar sobre e dividir conhecimento, estar conectado às pessoas do entorno é bastante positivo.
Contar com o seu próprio repertório e experiência adquiridos em outros espaços. Muitas pessoas têm habilidades de vendas, por exemplo, mas não se dão conta disso porque vão surgindo outras demandas mais urgentes da vida.
Ter materiais de apresentação do negócio em mãos. Não é preciso esperar uma reunião com o gerente do banco para apresentar o negócio. Ter esses materiais já prontos facilita a aproveitar possíveis oportunidades.
Buscar negócios e instituições criadas por e para pessoas negras.

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