Guerras, boicotes, apartheid: veja como crises e tensões políticas afetaram a história dos Jogos Olímpicos

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As duas Guerras Mundiais levaram ao cancelamento de três edições do evento. Outras grandes crises do século XX e XXI moldaram a história das Olimpíadas. Anéis olímpicos em frente ao Estádio Nacional de Tóquio, no Japão, nesta quarta-feira (20)
Kim Kyung-Hoon/Reuters
A história dos Jogos Olímpicos é marcada não só pelas competições nos estádios e ginásios, mas também por conflitos e disputas políticas entre países sedes e outros participantes.
Nesta reportagem, você vai entender como fatos históricos interferiram na organização de diferentes edições das Olimpíadas:
Guerras Mundiais e cancelamentos (1916, 1940 e 1944)
África do Sul: apartheid, exclusão e boicote (1964 a 1992)
Guerra Fria e boicotes (1980 e 1984)
Massacre em Munique (1972)
Iugoslávia banida (1992)
Coreia do Norte: das bandeiras unidas à desistência por Covid (2000 a 2020)
China: disputa com Taiwan e futuro incerto (1949 a 2022)
Saiba abaixo em detalhes como cada um desses eventos históricos afetou as Olimpíadas
Guerras Mundiais e cancelamentos
Soldados fezem reparo em trincheira após ataque a bomba.
Flickr/U.S National Archives
Os Jogos Olímpicos só não ocorreram em três ocasiões: em 1916, 1940 e 1944. Em todas, por causa das grandes guerras mundiais. Veja abaixo os detalhes:
1916 — Berlim
A capital alemã havia sido escolhida quatro anos antes para sediar as Olimpíadas de 1916 e já tinha construído o Deutsches Stadion — ou Estádio Alemão —, com capacidade para 60 mil pessoas, algo grandioso para a época.
O problema é que em 1914 os conflitos na Europa eclodiram e colocaram a Alemanha em oposição a outras potências europeias, notadamente Reino Unido e França. As autoridades olímpicas achavam que haveria tempo hábil para que os Jogos Olímpicos ocorressem normalmente dois anos depois, mas a possibilidade de retirar a sede de Berlim ficava cada vez mais latente.
Com a continuidade da Primeira Guerra Mundial, que durou até novembro de 1918, não houve espaço nem para Berlim nem para qualquer outra cidade sediar o evento, que, enfim, acabou cancelado.
E como a Alemanha — além de outros derrotados do conflito como os já separados Áustria e Hungria e os remanescentes do Império Otomano — ficou impedida de participar das Olimpíadas depois do fim da guerra, a sede escolhida para 1920 acabou sendo a cidade de Antuérpia, na Bélgica. Foi para lá que o Brasil levou pela primeira vez uma delegação de atletas e conquistou suas primeiras medalhas.
1940 — Tóquio e Helsinque
Poster dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1940, cancelados por causa das guerras
By Wada Sanzō – The Organizing Committee of the XIIth Olympiad, Report of the Organizing Committee on its Work for the XIIth Olympic Games of 1940 in Tokyo until the Relinquishment, Tokio 1940, p. 114., Domínio público
Em 1932, o Japão foi o primeiro país asiático eleito a receber os Jogos Olímpicos: receberia as competições de inverno em Sapporo e as de verão em Tóquio, ambas em 1940. O governo japonês pretendia fazer grandes festividades para exibir o país como uma potência emergente na Ásia e celebrar o aniversário de 2.600 anos da criação do Império Japonês.
As ideias foram engavetadas em 1938, um ano depois de eclodir a Segunda Guerra Sino-Japonesa — um conflito sangrento entre a China e o Japão que se estenderia até 1945. O governo ainda tentou manter os planos de organizar as Olimpíadas, mas acabou cedendo com o acirramento dos confrontos.
O Comitê Olímpico Internacional (COI), então, transferiu os Jogos de 1940 da seguinte forma: Garmisch-Partenkirchen, no sul da Alemanha, substituiria Sapporo na edição de inverno, enquanto Helsinque, capital da Finlândia, tomaria o lugar de Tóquio.
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Não deu certo. Em 1939, com a invasão alemã à Polônia, a Europa entrou em guerra mais uma vez, dando início à Segunda Guerra Mundial. Com os países europeus mobilizados — inclusive a sede Finlândia em pleno conflito com a União Soviética — o COI decidiu pelo cancelamento dos Jogos Olímpicos.
1944 — Londres
Artilharia durante a batalha de Stalingrado
Reprodução
O COI ainda tinha esperança de organizar os Jogos Olímpicos de Londres, em 1944, cidade eleita cinco anos antes. A edição de inverno ocorreria em Cortina d’Ampezzo, na Itália.
A Segunda Guerra Mundial, entretanto, continuou. Londres, inclusive, ainda se recompunha dos bombardeios nazistas em 1940 e 1941. Com os confrontos longe de um fim aparente no mundo inteiro, os organizadores sequer cogitaram levar adiante o evento.
Para compensar, Londres obteve o direito de receber os primeiros Jogos Olímpicos do pós-guerra, em 1948, com o mundo ainda em reconstrução. A edição de inverno foi levada para St. Moritz, na Suíça.
África do Sul: apartheid, exclusão e boicote
Oficializadas em 1948, as políticas de segregação racial da África do Sul — o apartheid — geraram uma série de pressões da comunidade internacional. Num primeiro momento, porém, o COI não se envolveu e permitiu que os sul-africanos participassem dos Jogos Olímpicos entre aquele ano e 1960. Apenas atletas brancos eram inscritos para as competições.
A pressão subiu em março de 1960, com o assassinato de 69 manifestantes no massacre em Sharpeville. A Organização das Nações Unidas (ONU), então, adotou resoluções para dificultar as relações dos países com o governo sul-africano enquanto durasse o apartheid.
Bandeira antiga da África do Sul ficou associada ao apartheid
Reprodução/Southern African Vexillological Association
Essas primeiras pressões tiveram efeito limitado, mas foram suficientes para que o COI desse um ultimato ao Comitê Olímpico Sul-Africano: ou eles se colocariam contrários às políticas de apartheid, que afetava também o esporte, ou estariam fora dos Jogos Olímpicos de 1964.
Sem uma manifestação contrária ao regime segregacionista, então, o COI retirou o convite à África do Sul. O país ficaria banido das Olimpíadas até 1992, quando competiu com uma bandeira especial após o início da saída do apartheid.
Até o fim do apartheid, as pressões internacionais contra o governo sul-africano continuaram e trouxeram outras consequências aos Jogos Olímpicos: em 1976, o time de rúgbi da Nova Zelândia visitou a África do Sul apesar das pressões contrárias da ONU.
A excursão neozelandesa revoltou um grupo de países africanos, que pediram para que a Nova Zelândia fosse excluída dos Jogos Olímpicos de Montreal por desrespeitar o rompimento do mundo esportivo com a África do Sul.
O COI se negou a expulsar os neozelandeses, argumentando, entre outras coisas, que o rúgbi não era esporte olímpico à época. Então, 29 países, a maioria africanos, anunciaram um boicote aos Jogos Olímpicos de Montreal — o primeiro boicote em larga escala na história das Olimpíadas.
Guerra Fria e boicotes
Esportivamente, Estados Unidos e União Soviética rivalizaram a liderança no quadro de medalhas na segunda metade do século XX. Porém, o ápice da polarização no período da Guerra Fria (1945-1991) para os Jogos Olímpicos ocorreu em 1980 e 1984, na chamada era dos boicotes. Veja abaixo:
1980 — EUA boicotam Jogos de Moscou
Olimpíada de Moscou (1980): Abertura
Após anos de distensão e acordos nucleares, as hostilidades entre os EUA e a URSS voltaram ao fim da década de 1970. Um dos episódios que reacendeu as tensões Washington-Moscou foi a invasão soviética ao Afeganistão, no fim de 1979. Assim como os conflitos no Vietnã e na Coreia, aquela era mais uma das “guerras por procuração” que envolviam forças apoiadas pelas duas potências militares.
Quando a guerra no Afeganistão eclodiu, a organização dos Jogos Olímpicos de Moscou, que ocorreriam sete meses depois, estava a todo vapor. Para pressionar a retirada das tropas soviéticas em solo afegão, o então presidente americano, o democrata Jimmy Carter, determinou que os atletas dos EUA não poderiam viajar à URSS para competir nem sob bandeira neutra, sob pena de cassação de seus passaportes.
Webdoc esporte – Olimpíada de Moscou (1980)
A Casa Branca ainda pressionou aliados ocidentais e outros parceiros mais próximos a esvaziaram os Jogos de Moscou. Outras potências olímpicas como a Alemanha Ocidental, o Japão, a China — que recém havia rompido com a URSS — se retiraram dos Jogos. Alguns países, como a Austrália, competiram sob bandeira neutra, e outros, como Espanha e Portugal, adotaram a bandeira de seus comitês olímpicos nacionais.
Ao fim, os Jogos Olímpicos de Moscou foram um dos mais esvaziados da história. Somente 80 delegações participaram, incluindo o Brasil, contra 121 em 1972 — última edição sem boicotes até então.
1984 — URSS boicota Jogos de Los Angeles
Olimpíada de Los Angeles (1984)
Como esperado, a União Soviética retribuiu o boicote liderado pelos EUA quatro anos depois. No entanto, o anúncio da desistência em participar do evento em Los Angeles só foi feito pelo Kremlin poucos meses antes da cerimônia de abertura.
A URSS não diz que tenha se retirado dos Jogos Olímpicos de 1984 por causa do boicote americano de quatro anos antes. Oficialmente, os líderes soviéticos disseram que temiam “sentimentos chauvinistas” que pudessem colocar em risco a segurança dos atletas.
O boicote do bloco comunista foi menos bem sucedido em esvaziar as Olimpíadas de Los Angeles: só 17 países desistiram de participar do evento. No entanto, vários desses eram potências olímpicas importantes da época, como Alemanha Oriental, Polônia e Cuba.
O único participante do Pacto de Varsóvia — aliança militar do Leste Europeu em oposição à Otan — foi a Romênia, que se beneficiou da ausência dos demais e terminou os Jogos de 1984 em segundo lugar no quadro de medalhas, atrás apenas dos EUA.
Massacre em Munique
Olimpíada de Munique (1972)
A Alemanha buscava em 1972 mostrar uma imagem positiva de um país desenvolvido e sem mais ligações com os crimes cometidos três décadas antes no regime nazista. Saíram as cores nacionais e entraram tons em azul, verde e laranja para simbolizar uma Munique moderna e aberta.
Entretanto, os Jogos Olímpicos daquele ano acabaram marcados por um massacre: terroristas da facção palestina Setembro Negro invadiram a Vila Olímpica e fizeram reféns um grupo de atletas e técnicos da delegação de Israel.
Os criminosos exigiam a libertação de 200 palestinos presos em solo israelenses e pediam um avião para fugir de Munique. O governo de Israel não cedeu, e autoridades alemãs ofereceram dinheiro para resgate e outras saídas diplomáticas, mas nada surtia efeito. Durante as negociações, um dos reféns foi morto.
Em uma tentativa de emboscada, a polícia alemã atraiu os sequestradores até o aeroporto, com a promessa de dar a eles um avião. Com os terroristas já na pista, as forças de segurança abriram fogo, mas os criminosos devolveram os tiros e mataram os reféns. No fim, a ação resultou na morte de 11 reféns israelenses, um policial alemão e cinco sequestradores.
A possibilidade de interromper ali os Jogos de Munique chegou a circular pelos organizadores, mas o COI decidiu seguir adiante após um dia inteiro sem nenhuma competição. Uma cerimônia no Estádio Olímpico homenageou os atletas mortos no massacre, as bandeiras foram colocadas a meio mastro, e as competições foram retomadas no dia seguinte.
Iugoslávia banida
Webdoc jornalismo – Guerra Civil na Iugoslávia (1991)
Os anos 1980 colocaram em xeque a unidade da Iugoslávia após a morte do marechal Josip Tito, as crises econômicas, e as disputas políticas nacionalistas das repúblicas que formavam o país. Nesse cenário, em 1991, começaram as guerras de independência, com Eslovênia, Croácia e Bósnia-Herzegovina.
Pressionado pelos crimes de guerra que começavam a aparecer ao mundo e pela comunidade internacional, sobretudo os países ocidentais da Europa, o Conselho de Segurança da ONU estabeleceu em 1991 uma série de sanções e embargos contra o governo iugoslavo. Entre as medidas, estava o impedimento da participação da Iugoslávia em competições esportivas.
Isso afetou diretamente o esporte local em um ano de grandes competições. Classificada para a Eurocopa de 1992, a seleção iugoslava de futebol teve de ceder seu lugar à Dinamarca — que acabaria campeã do torneio, contra os prognósticos. Além disso, a Iugoslávia acabou completamente banida dos Jogos Olímpicos daquele ano.
O COI, porém, arranjou uma solução para que atletas classificados pudessem competir: eles foram às Olimpíadas de Barcelona com a bandeira olímpica e com o nome “Participantes Olímpicos Independentes”. Conseguiram apenas três medalhas, uma de prata e duas de bronze, contra 12 obtidas em Seul quatro anos antes.
Se, por um lado, a Iugoslávia competiu sem bandeira e só com um grupo pequeno de atletas, os países recém independentes do regime iugoslavo fizeram em 1992 sua estreia em Jogos Olímpicos:
Bósnia-Herzegovina — levou somente 10 atletas e saiu sem medalhas, mas a delegação foi ovacionada ao entrar no estádio na abertura.
Croácia — conseguiu três medalhas, inclusive a prata no basquete masculino, conquistada após a derrota para o Dream Team, o “Time dos Sonhos” dos Estados Unidos.
Eslovênia — obteve duas medalhas, ambas de bronze e no remo
Coreia do Norte: das bandeiras unidas à desistência por Covid
Coreias desfilam juntas sob a mesma bandeira
Doze anos após boicotar os Jogos Olímpicos de Seul por rusgas políticas com os vizinhos, a Coreia do Norte concordou em desfilar em conjunto com a Coreia do Sul na cerimônia de abertura de Sydney-2000.
As duas delegações representando países teoricamente em guerra — há apenas um cessar-fogo em vigor, mas ambos têm seus exércitos mobilizados — foram ovacionadas ao entrar no Estádio Olímpico segurando uma bandeira neutra com o desenho da Península Coreana em azul. Positiva, a experiência se repetiu nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, e nas Olimpíadas de Inverno de Turim, em 2006. E só.
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Nos primeiros dias de 2018, havia uma incerteza sobre a participação dos norte-coreanos nos Jogos de Inverno de PyeongChang, que fica na Coreia do Sul. Principalmente porque semanas antes da abertura as tensões entre o então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, só aumentaram — inclusive com trocas de insultos e ameaças nucleares.
Porém, autoridades sul-coreanas solicitaram um encontro em alto nível com o norte em janeiro de 2018 e concordaram — juntamente a Trump — em interromper momentaneamente os exercícios militares na península. Só aí a Coreia do Norte confirmou o envio de atletas ao Sul, diferentemente do que ocorreu em 1988, nos Jogos de Seul.
O líder da delegação norte-coreana, Kim Yong Chol, participa da cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno de Pyeongchang
Yonhap via REUTERS
As conversas entre os vizinhos avançaram a ponto de Kim Yo-jong, irmã mais nova do ditador norte-coreano e possível sucessora, comparecer à cerimônia. Além disso, finalmente depois de 12 anos, as duas Coreias voltaram a desfilar conjuntamente na cerimônia de abertura.
E houve um fato inédito: as duas Coreias competiram unidas no hóquei no gelo feminino, na primeira participação de um time unificado coreano desde o início da guerra. No restante das modalidades, Sul e Norte jogaram separadamente.
A boa fase nas conversas entre os dois países melhorou a atmosfera para que, em junho daquele mesmo 2018, ocorresse o primeiro encontro entre um presidente americano e um ditador norte-coreano: Trump e Kim apertaram as mãos em uma reunião histórica em Singapura, que terminou na assinatura de um acordo de desnuclearização da Coreia do Norte.
Essa fase positiva, porém, terminou no ano seguinte. As negociações avançaram pouco, a ponto de um segundo encontro entre Kim e Trump terminar sem nenhum novo acordo. E os testes com mísseis e outros projéteis na Coreia do Norte voltaram a fazer parte do noticiário.
Foto de junho de 2018 mostra reunião entre Trump e Kim em Singapura.
Evan Vucci/AP
Havia, ao fim, a expectativa de como seria a participação norte-coreana em Tóquio, uma vez que o Japão é um inimigo histórico da Coreia do Norte. Em abril de 2021, porém, o governo norte-coreano anunciou que não participará dos Jogos Olímpicos adiados para este ano, citando temores relacionados à pandemia do coronavírus.
É a primeira desistência desde 1988, quando a mesma Coreia do Norte e outros países — incluindo Cuba, aliada do regime Kim à época — decidiram não ir a Seul.
China: disputa com Taiwan e futuro incerto
Evento de 100 anos de fundação do Partido Comunista da China reúne milhares de participantes em Pequim nesta quinta (1º))
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
A Revolução Comunista Chinesa de 1949 terminou da seguinte forma: os comunistas, liderados por Mao Tsé-Tung, dominaram todo o território continental e proclamaram a República Popular da China — nome completo do país que conhecemos hoje por China. Os nacionalistas, confinados na ilha de Taiwan, mantiveram lá a República da China — como um governo em exílio.
Entre os anos 1950 e 1960, a ONU e o Ocidente consideravam Taiwan o verdadeiro representante da China. Atletas da ilha competiam sob o nome República da China nos Jogos Olímpicos.
Mas a situação mudou em 1971, quando a ONU deixou de reconhecer Taiwan como a representação legal dos chineses e transferiu a vaga para os comunistas de Pequim.
Isso ocorreu em meio ao congelamento das relações da China comunista com a União Soviética e a consequente aproximação de Pequim com os EUA. Os novos laços entre chineses e americanos levaram até à desistência da China em participar das Olimpíadas de Moscou, como parte do boicote ocidental aos soviéticos em 1980.
A solução encontrada para Taiwan, que não poderia usar mais o nome China, foi passar a competir com a nomenclatura “Taipé Chinesa” a partir de 1984 não só nos Jogos Olímpicos, mas também em outros eventos.
Um manifestante pró-democracia discute com a polícia em Hong Kong em outubro de 2020, antes de um protesto pela libertação de doze ativistas presos no mar enquanto tentavam fugir para Taiwan
Tyrone Siu/Reuters
A questão taiwanesa se juntaria à de Hong Kong a partir de Sydney-2000: como o território semi-autônomo passou do controle britânico para o chinês em 1997, a delegação local passaria a adotar o nome “Hong Kong, China” para frisar que a área é dependente de Pequim.
Pequim, aliás, sediará os Jogos Olímpicos de Inverno em fevereiro de 2022 em um momento de pressão internacional sobre a China por diversas razões, que incluem a repressão violenta aos manifestantes de Hong Kong e as disputas militares no mar territorial chinês perto de Taiwan.
Funcionários da organização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Inverno de 2022 trabalham no Cubo de Água, em Pequim, na China, em foto de 1º de abril
Tingshu Wang/Arquivo/Reuters
Além disso, congressistas dos EUA pediram um boicote diplomático aos Jogos de 2022 em repúdio ao massacre de muçulmanos da etnia uigur na província de Xinjiang. As disputas sobre o início da pandemia do coronavírus entre o Ocidente e a China formam outro polo de tensão com o país sede das próximas Olimpíadas de Inverno.
Se essas pressões vão se converter em novos episódios de boicote e desistências, o cenário ainda é incerto.

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