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Bancos podem desembolsar R$ 30 bi para cobrir rombo no FGC, diz levantamento

Bancos podem desembolsar R$ 30 bi para cobrir rombo no FGC, diz levantamento

Foto: Raphael Ribeiro/BCB


Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil e Santander arcarão com os maiores custos para bancar a recomposição do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após o rombo deixado pelo caso Master. Estimativas de analistas consultados pelo Estadão/Broadcast sugerem que os cinco maiores bancos do País podem ter de desembolsar, no agregado, um montante ao redor R$ 30 bilhões já nos próximos meses.

O Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, sob suspeitas de fraudes. Cerca de 800 mil investidores que aplicaram recursos em títulos do banco estavam cobertos pela proteção do FGC e estão sendo ressarcidos.

O FGC tem patrimônio ao redor de R$ 125 bilhões. Desse total, Banco Master, Will Bank e Banco Pleno podem consumir ao menos R$ 52 bilhões, indicando a necessidade de recapitalizar a instituição.

Até agora, entre os cinco maiores bancos, só o BB falou publicamente uma estimativa de desembolso. Enquanto isso, analistas e investidores estão fazendo seus próprios cálculos. A conta considera o adiantamento imediato do equivalente a cinco anos de contribuições mensais ao Fundo, como parte do plano de reconstrução acertado neste mês.

Como não são públicos, os números representam uma estimativa para fornecer uma dimensão dos efeitos da reconstrução do FGC sobre o setor. Por isso, o cálculo dos analistas pode ser um pouco maior que o dos próprios bancos, que têm acesso aos números completos.

Para além desse valor, haverá ainda uma contribuição adicional extraordinária de 50% dos aportes mensais, o que, no caso das quatro principais instituições de capital aberto, pressupõe um dispêndio de R$ 2,6 bilhões por ano, segundo cálculos do Citi. A cifra terá impacto material, mas administrável sobre as principais métricas financeiras dos bancos, na opinião dos analistas.

De onde vem o dinheiro? Bancos privados pagam a conta

Pelas regras atuais, os bancos associados contribuem mensalmente com 0,01% do total de seus instrumentos financeiros garantidos. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), a alíquota mensal é de 0,02% para emissões com alienação de recebíveis e de 0,03% para o estoque sem alienação.

No caso do Itaú, a fórmula se traduz em um desembolso inicial de R$ 8,8 bilhões e de mais R$ 882 milhões no ano para cobrir o incremento extraordinário de 50% nas contribuições, conforme estimativas do Citi. Os números podem estar ligeiramente superestimados, porque consideram os depósitos de toda a operação, inclusive fora do Brasil. E o FGC só cobre os depósitos no Brasil.

O presidente do Itaú, Milton Maluhy, tem defendido a implementação de “mecanismos inteligentes” para recapitalizar o FGC e transmitir a mensagem de que o Fundo está bem capitalizado para cumprir o objetivo de proteção do investidor. Na visão dele, o processo deve atenuar ao máximo os custos para o setor financeiro e a sociedade. “Muitas normas internacionais podem servir de referência”, disse ele, quando comentou os resultados do banco.

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