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O mercado de crédito privado vive um momento de atenção global com o fim da era do dinheiro barato. Após anos de expansão, o setor agora sente o impacto direto dos juros altos e do endividamento das empresas, levantando dúvidas sobre a sustentabilidade desse modelo no cenário atual.
Segundo o investidor e fundador da Oaktree Capital, referência mundial em análise de ciclos e gestão de risco, os fundamentos desse tipo de investimento estão mais frágeis e muitos investidores seguem priorizando retorno sem considerar adequadamente os riscos.
O crescimento acelerado do crédito privado desde a crise de 2008 foi impulsionado pela saída dos bancos tradicionais e pelo avanço de estruturas como o empréstimo direto, diz Howard Marks.
Por isso, a busca por alto rendimento acabou levando a decisões menos criteriosas por parte dos investidores.
O tema foi destaque no quadro “Insights da Semana”, da Resenha do Dinheiro desta semana pelo apresentador Bernardo Pascowitch.
Apesar do alerta, Marks não prevê um colapso imediato. Ainda assim, destaca que o aumento do risco pode ganhar força em meio às tensões globais e juros elevados, funcionando como um fator de pressão para uma desaceleração na economia.
Para Pascowitch, o ponto principal está no descompasso entre percepção e realidade de risco.
“O investidor americano, hoje, não está enxergando o risco de crédito. Houve um crescimento alto desse mercado e muitos investidores entraram como se não houvesse risco. Com o cenário global mais tenso, essa conta pode chegar”, afirma.
Insights da Semana
Além do alerta sobre crédito privado, dois assuntos relevantes movimentaram o debate entre os apresentadores essa semana.
Marilia Fontes, especialista em renda fixa, analisa o impacto da inteligência artificial no mercado financeiro, a partir de um estudo de Harvard University.
Segundo ela, a tecnologia tem potencial para aumentar a produtividade, mas não substitui o conhecimento consolidado.
“A IA ajuda quem já sabe muito a produzir mais. Mas não transforma alguém sem experiência em um especialista e não substitui o consultor profissional”, explica.
Já Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”, destacou o cenário de endividamento de 80% das famílias brasileiras e o papel de programas de renegociação como o Desenrola 2.0.
O apresentador observa que o momento pode ser uma oportunidade de reorganização financeira, desde que haja estratégia.
“O primeiro passo é classificar suas dívidas. Priorizar as mais caras, como cartão de crédito, mas não deixar de pagar as mais importantes, como o financiamento do imóvel, por exemplo. Senão, o risco pode ser ainda maior”, alerta.
Resenha do Dinheiro
Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos. A atração aborda semanalmente os principais temas da economia com a informalidade de uma conversa entre amigos — sem abrir mão da análise.
A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.
Fonte CNN Brasil



