Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia
Por Marcos Vitório
A Região Metropolitana de Salvador registrou, em agosto, a segunda queda consecutiva nos preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a medida oficial da inflação no país, ficou em -0,59%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11). Na prática, o resultado significa que, na média, os preços dos produtos e serviços pesquisados ficaram mais baixos no mês.
A queda foi mais intensa do que a registrada no país, que apresentou deflação de 0,32% em agosto. Entre os 16 locais pesquisados pelo IBGE, a Região Metropolitana de Salvador teve a terceira maior redução de preços. O resultado ficou atrás apenas da Região Metropolitana de Curitiba, que registrou -0,64%, e de São Luís, com -0,60%.
O índice de agosto também chama atenção quando comparado ao histórico da própria região. A deflação de -0,59% foi a maior registrada para um mês de agosto na Região Metropolitana de Salvador em 28 anos. A última vez em que o indicador havia apresentado uma queda mais forte no período foi em 1998, quando o IPCA ficou em -0,67%.
A sequência de resultados negativos começou em julho, quando a inflação da RMS havia recuado 0,32%. Com a nova queda em agosto, o acumulado de 2026 chegou a 2,79%. O percentual é o terceiro menor entre os locais pesquisados pelo IBGE e também está abaixo da média nacional, que acumula alta de 3,11% no mesmo período.
Quando é considerado um período maior, de 12 meses encerrados em agosto, a inflação da Região Metropolitana de Salvador acumula alta de 3,64%. O resultado também está entre os menores do país e fica abaixo do índice nacional, que chegou a 4,22%. O dado indica que, no período de um ano, os preços na região subiram em ritmo menor do que a média brasileira.
A queda registrada em agosto foi influenciada principalmente pelos grupos habitação e transportes. Juntos, eles concentraram algumas das principais reduções de preços observadas pelo IBGE no mês. O grupo habitação teve queda de 2,19%, enquanto transportes recuou 1,75%.
Na habitação, a principal contribuição veio da energia elétrica residencial. O preço da energia caiu 8,05% em agosto na Região Metropolitana de Salvador. Segundo o IBGE, a redução ocorreu principalmente pela incorporação do Bônus de Itaipu nas contas emitidas durante o mês. O benefício ajudou a diminuir o valor médio pago pelos consumidores.
O gás de botijão também ficou mais barato, com redução de 1,90%. O resultado, porém, não foi uniforme entre todos os itens relacionados à moradia. A taxa de água e esgoto subiu 2,21%, refletindo o reajuste aplicado em Salvador. A alta fez com que o item estivesse entre os que mais pressionaram a inflação para cima na região.
Nos transportes, os combustíveis tiveram papel importante na queda. Os preços desse grupo recuaram 4,27%, com destaque para a gasolina, que ficou 4,36% mais barata. O etanol apresentou redução ainda maior, de 8,06%. As passagens aéreas também contribuíram para o resultado, com queda de 15,16% em agosto.
A alimentação foi outro setor que ajudou a reduzir a inflação. Os preços dos alimentos tiveram a terceira queda consecutiva na Região Metropolitana de Salvador e recuaram, em média, 0,44% no mês. A redução foi puxada principalmente pelos produtos comprados para consumo dentro de casa, que ficaram 0,83% mais baratos.
Entre os alimentos, a batata-inglesa apresentou a maior queda de preço entre todos os produtos e serviços pesquisados pelo IBGE na RMS. O valor do produto recuou 27,48% em agosto. O tomate também teve uma redução expressiva, de 22,44%, enquanto a cebola ficou 15,99% mais barata.
Apesar da queda nos alimentos comprados para casa, quem optou por fazer as refeições fora encontrou preços maiores. A alimentação fora do domicílio subiu 0,66% em agosto. A refeição, que considera itens como almoço e jantar, teve aumento de 0,75%.
O resultado negativo do IPCA não significa, portanto, que todos os preços diminuíram. Dos nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE, cinco apresentaram queda em agosto. Os outros quatro tiveram aumentos e impediram que a redução geral fosse ainda maior.
Entre os grupos que ficaram mais caros, saúde e cuidados pessoais teve alta de 0,34%. Os medicamentos em geral subiram 0,75%, enquanto os planos de saúde aumentaram 0,42%. O vestuário também apresentou alta, de 0,84%, influenciado principalmente pelos calçados e acessórios, que ficaram 1,33% mais caros.
Na prática, o impacto da deflação depende dos hábitos de cada família. Uma pessoa que gastou uma parcela maior do orçamento com energia elétrica, gasolina ou alimentos que ficaram mais baratos pode ter percebido uma redução nas despesas. Já quem teve gastos concentrados em itens que subiram pode não ter sentido o mesmo alívio no bolso.
Outro indicador divulgado pelo IBGE também mostrou queda nos preços. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acompanha principalmente a inflação das famílias com rendimentos de até cinco salários mínimos, ficou em -0,57% na Região Metropolitana de Salvador em agosto.
Assim como o IPCA, o INPC apresentou a segunda deflação consecutiva. Em julho, o indicador havia registrado queda de 0,44%. O resultado de agosto foi o segundo menor entre os 16 locais pesquisados, ficando atrás apenas da Região Metropolitana de Curitiba, que teve redução de 0,67%.
No acumulado de janeiro a agosto, o INPC da RMS registra alta de 2,87%, abaixo do índice nacional, que ficou em 3,17%. Nos 12 meses encerrados em agosto, o indicador acumula alta de 3,50% na região, também inferior aos 3,98% registrados no país.
Os números divulgados pelo IBGE mostram um cenário de menor pressão sobre os preços na Região Metropolitana de Salvador. A sequência de duas deflações ajudou a manter a inflação regional abaixo da média brasileira, especialmente pela queda de itens que pesam no orçamento das famílias, como energia, combustíveis e alguns alimentos.
Ao mesmo tempo, o cenário exige atenção porque a redução média dos preços esconde comportamentos diferentes dentro da cesta de consumo. Enquanto alguns produtos ficaram significativamente mais baratos, outros continuaram subindo. Por isso, o resultado representa um alívio geral nos índices de inflação, mas não significa necessariamente que todos os consumidores estejam gastando menos.
Com a queda de agosto, a Região Metropolitana de Salvador chega a 2,79% de inflação acumulada em 2026 e 3,64% em 12 meses. O resultado coloca a região entre as menores taxas do país e marca o mês de agosto com a maior deflação em 28 anos, reforçando a desaceleração dos preços observada nos últimos meses.


