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Mais de cinco milhões de baianos estão com o nome negativado. A dificuldade para manter as contas em dia atinge
consumidores e empresas, num cenário em que o orçamento das famílias segue pressionado e os negócios precisam lidar com compromissos que vão de fornecedores a empréstimos e despesas de funcionamento.
Em agosto, a Bahia chegou a 5,27 milhões de consumidores inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Renegociação de Dívidas da Serasa. Eram 5.271.715 pessoas, contra 5.239.780 em julho, um aumento de 0,61% em apenas um mês. O crescimento ocorreu mesmo num período em que o avanço nacional perdeu força.
Os dados mostram que a dificuldade de pagamento continua presente no estado, embora os indicadores variem conforme a base de dados e o perfil analisado. O levantamento da Serasa acompanha consumidores com dívidas em atraso registradas em seus cadastros. Já a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do
Consumidor (Peic), da Fecomércio-BA, considera as famílias de Salvador entrevistadas mensalmente.
Na capital baiana, os números mais recentes da Fecomércio apontam uma redução da inadimplência em setembro. O percentual de famílias com contas atrasadas caiu de 25% em agosto para 24,4%, o equivalente a 248,5 mil famílias. Foram cerca de 6,6 mil a menos do que no mês anterior. A queda, porém, não significa que o problema esteja resolvido: entre os consumidores que permanecem inadimplentes, o tempo médio de atraso chegou a 67,7 dias. Além disso, 44,4% afirmaram não ter condições de quitar as dívidas, segundo a pesquisa.
O endividamento também continua elevado. Em setembro, 780,7 mil famílias de Salvador tinham algum tipo de dívida, o equivalente a 76,6% do total pesquisado. O cartão de crédito aparece como a modalidade mais comum, presente em 91,7% das famílias endividadas. O comprometimento médio da renda com dívidas chegou a 31,8%.
O quadro ajuda a dimensionar o peso das parcelas no orçamento doméstico. Quando uma parte significativa da renda já está comprometida, qualquer despesa fora do previsto pode dificultar o pagamento de outras contas. E, para quem já tem parcelas atrasadas, a renegociação nem sempre resolve de imediato o desequilíbrio financeiro.
Em setembro, a Serasa informou que o número de acordos de renegociação de dívidas na Bahia havia crescido 42% entre maio e agosto de 2026, passando de 805 mil para mais de 1,1 milhão de débitos negociados. No mesmo período, o total de consumidores negativados no estado subiu de 5,23 milhões para 5,27 milhões. Os dados mostram que a busca por acordos aumentou, mas ainda não foi suficiente para interromper o crescimento da inadimplência. A especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, afirmou que condições melhores de negociação podem ajudar o
consumidor a reorganizar as contas antes que as dívidas se acumulem.
A pressão também chega ao setor produtivo. Em junho, a Bahia contabilizou 332.416 empresas inadimplentes, o maior número entre os estados do Nordeste e o sétimo maior do país, conforme o Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No Brasil, eram mais de 9,1 milhões de CNPJs com contas em atraso, e o volume total das dívidas negativadas alcançou R$ 232,9 bilhões.
A economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, relacionou a manutenção da inadimplência elevada às condições restritivas de crédito, aos juros ainda altos e à desaceleração da atividade econômica. Segundo ela, a redução no ritmo de geração de receita dificulta a reorganização financeira de empresas que já enfrentam compromissos acumulados.
O problema não se limita a empréstimos bancários. De acordo com o levantamento da Serasa Experian, os serviços respondiam por 55,7% das empresas inadimplentes no país em junho, enquanto o comércio concentrava 32,2%. A composição das dívidas também mostra a presença de compromissos com fornecedores e despesas ligadas à própria operação, além das obrigações financeiras.
Para os pequenos negócios, o atraso no recebimento de clientes pode dificultar o pagamento de aluguel, funcionários, fornecedores e tributos. Quando a empresa recorre a crédito para cobrir despesas correntes, o custo financeiro pode consumir uma parte ainda maior da receita. Na Bahia, onde o número de empresas inadimplentes já supera 332 mil, a dimensão do problema exige atenção tanto para as condições de crédito quanto para a capacidade de geração de caixa dos empreendimentos.
Os dados de
consumidores e empresas apontam para uma dificuldade que não se resume ao número de pessoas com o nome negativado. Em Salvador, mesmo com a queda da inadimplência em setembro, quase metade dos consumidores que continuam com contas atrasadas diz não ter condições de pagar o que deve. Entre os negócios, a Bahia permanece na liderança regional em quantidade de empresas inadimplentes


