
O ex-premiê e agora senador tenta torpedear aliança com futura primeira-ministra italiana após ela ter rejeitado suas indicações para o governo. Silvio Berlusconi (dir.) sentado ao lado de Vladimir Putin (esq.), presidente da Rússia em 2019
Sputnik/Alexey Druzhinin/Kremlin via REUTERS
A primeira-ministra eleita da Itália aprende que não precisa de inimigos quando tem Silvio Berlusconi como aliado e um dos pilares de sua futura coalizão de governo. Com declarações explosivas e incursões no universo chantagista, o Cavalieri tem feito de tudo para torpedear a aliança de seu partido, o Força Itália, com o Irmãos da Itália, de Giorgia Meloni.
Eleito senador, o ex-premiê mostra que retornou à política para tumultuar ainda mais o ambiente, naturalmente agitado pela eleição da primeira mulher para comandar o primeiro governo de extrema direita do país em quase oito décadas.
Numa reunião interna de seu partido, Berlusconi referiu-se a Meloni como arrogante e ofensiva e lançou um novo petardo nesta já desgastada relação: ele revelou ter se reconectado com o presidente russo, de quem ganhou 20 garrafas de vodca como presente de aniversário e uma carta carinhosa em que Putin o declarava como o primeiro de seus cinco verdadeiros amigos.
Giorgia Meloni durante discurso em 23 de Setembro de 2022
Andreas SOLARO / AFP
Meloni é defensora da Ucrânia, da OTAN e das sanções europeias contra a Rússia. Berlusconi definiu Putin como “um homem da paz” a seus colegas de partido, deixando claro o seu desacordo com a futura premiê.
Seria ingênuo acreditar que o ex-primeiro-ministro italiano em três mandatos um dia se voltaria contra Putin. Durante anos de convívio político, ambos consolidaram também uma relação de amizade, expressa com trocas simbólicas de presentes: no passado, o italiano ganhou do russo uma cama e retribuiu com um edredom ilustrado pela imagem, em tamanho king size, dos dois líderes.
Berlusconi usa Putin para irritar Meloni, que não tem se dobrado a suas tentativas de nomear ministros. Primeiro, ele quis emplacar uma protegida, a ex-enfermeira Licia Ronzulli, para um cargo no governo. A proposta foi rechaçada e o ex-premiê revidou, votando contra Ignazio La Russa, indicado por Meloni para presidir o Senado. Nesta queda de braço, ela foi vencedora.
Silvio Berlusconi (centro), Giorgia Meloni (esq.) e Matteo Salvini (dir.) em Roma
Alessandro Bianchi/REUTERS
Os dois fizeram uma trégua e posaram para fotos. No dia seguinte, o ex-primeiro-ministro e agora senador revelou os detalhes da reunião a seus companheiros de partido, sem freios na língua, como se estivesse sob efeito da vodca oferecida por Putin. Berlusconi forçou a nomeação de Elisabetta Casellati, do Força Itália, para ministra da Justiça e foi novamente rejeitado.
Ele contou ter sido maltratado pela futura chefe de governo e apelou para a cartada da família, numa nova tentativa de atingi-la: referiu-se ao jornalista Andrea Giambruni, com quem ela tem uma filha, como “o homem de Meloni”, lembrando que trabalha no grupo Mediaset, do qual é dono.
Aos 86 anos, Berlusconi demonstra dificuldades em reconhecer a autoridade de uma mulher. Meloni resiste a chantagens e, até agora, tem levado a melhor no embate com um aliado cada vez mais incômodo.
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