Tela Noticias

Carnaval exige atenção com a saúde em meio à maratona de esforço físico

Carnaval exige atenção com a saúde em meio à maratona de esforço físico

Foto: Wuiga Rubini/GOVBA

Por Marcos Vitório

Conhecido como uma das maiores festas populares do mundo, o Carnaval de Salvador atrai milhões de foliões todos os anos. São horas e, muitas vezes, dias seguidos caminhando, pulando e dançando atrás dos trios elétricos, sob calor intenso e em meio a multidões. Apesar do clima de alegria, especialistas alertam que a combinação de esforço físico prolongado, desidratação, consumo de álcool e falta de preparo pode representar riscos importantes para a saúde, especialmente para o coração.

Durante grandes eventos como o Carnaval, cresce a procura por atendimentos médicos relacionados a mal-estar, queda de pressão, desidratação e sobrecarga física. O esforço contínuo, sem pausas adequadas, pode exigir demais do sistema cardiovascular, principalmente em pessoas com doenças pré-existentes ou que não estão acostumadas à prática de atividade física intensa. De acordo com a cardiologista Mariana Andrade, as próprias condições da festa contribuem para esse risco, já que envolvem longas caminhadas, calor extremo e suor excessivo, frequentemente associados ao consumo de bebidas alcoólicas sem hidratação adequada.

Segundo a especialista, a situação se agrava quando esses fatores se somam ao uso de bebidas energéticas. “A combinação de calor excessivo, desidratação, esforço físico prolongado e consumo de álcool, eventualmente associado a energéticos, pode levar à aceleração dos batimentos cardíacos e desencadear condições mais graves”, alerta a cardiologista. Ela ressalta ainda que pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos para controle da pressão arterial ou da glicemia não devem interromper o tratamento durante a folia, mantendo o uso regular e respeitando os limites do próprio corpo.

Esse desgaste não se reflete apenas no coração. O impacto repetitivo e o cansaço extremo também afetam músculos e articulações, funcionando muitas vezes como um sinal de que o corpo está ultrapassando seus limites. Segundo o ortopedista Nivaldo Cardozo, coordenador do serviço de Ortopedia do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o Carnaval se assemelha a uma

verdadeira prova de resistência. “Muitas pessoas passam horas caminhando, pulando e dançando, geralmente sem preparo físico e usando calçados inadequados. Isso sobrecarrega articulações e músculos, principalmente dos membros inferiores”, explica. As dores, lesões e quedas acabam sendo um alerta de algo maior: o desgaste físico acumulado. “O corpo até tenta avisar, mas, no clima da festa, os sinais costumam ser ignorados”, ressalta o médico.

O ambiente de multidão, o calor e o consumo de álcool agravam esse cenário. Além de aumentar o risco de acidentes e traumas, o álcool contribui para a desidratação e reduz a percepção dos próprios limites físicos. “O álcool reduz o reflexo e a percepção de risco, aumentando a chance de quedas e movimentos inadequados”, afirma Nivaldo. Para a cardiologista Mariana Andrade, esse comportamento também pode mascarar sinais importantes de alerta, como tontura, fraqueza intensa, palpitações e mal-estar, que não devem ser normalizados durante a folia.

A adoção de medidas simples pode ajudar a reduzir os riscos cardiovasculares e ortopédicos. Manter-se bem hidratado, alimentar-se com refeições leves, evitar o uso excessivo de álcool e não consumir bebidas energéticas são recomendações reforçadas pela cardiologista. “Respeitar os limites do corpo, de acordo com a condição de saúde e o condicionamento físico, é fundamental para atravessar o Carnaval com segurança”, orienta Mariana.

A escolha do calçado e a atenção ao conforto físico também fazem diferença. “O ideal é usar tênis ou sapatos fechados, com solado antiderrapante e bom amortecimento”, orienta o ortopedista, ao destacar que o cuidado com o corpo contribui para que o folião consiga manter o ritmo sem extrapolar seus limites.

Dor persistente, inchaço e dificuldade de locomoção são sinais claros de que algo não vai bem, mas especialistas alertam que sintomas como falta de ar, tontura, fraqueza intensa e sensação de desmaio também exigem atenção imediata. “Não é normal sentir dor incapacitante após a festa. Insistir pode agravar lesões simples e transformá-las em problemas mais sérios”, reforça Nivaldo.

administrator

Related Articles

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *