
Professores explicam que, por causa do método de correção (TRI), é importante garantir os acertos das perguntas mais fáceis. Neste domingo (13), candidatos terão 5 horas e meia para resolver 45 testes de linguagens, 45 de ciências humanas e a redação. Folha de rascunho da redação do Enem.
g1
O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), marcado neste ano para 13 e 20 de novembro, pode ser comparado a uma “maratona”: é preciso ter fôlego para mais de 5 horas de prova, acelerar no momento certo e ainda cruzar a linha de chegada em um tempo satisfatório.
Para ajudar os candidatos a conquistar uma medalha (ou melhor, uma vaga na faculdade), o g1 perguntou a professores qual é a estratégia ideal para garantir um bom desempenho na avaliação.
Veja abaixo as dicas e, em seguida, o detalhamento de cada uma delas:
Começar pelas questões mais fáceis.
Assinalar as perguntas que forem “puladas”.
Intercalar a redação e as perguntas.
Reservar, no máximo, 1 hora e meia para a redação.
Dividir o tempo por etapas (redação, ciências humanas e linguagens), e não por perguntas.
1- Começar pelas questões mais fáceis
No Enem, dois candidatos podem acertar exatamente o mesmo número de questões, mas tirar notas diferentes. Pode parecer estranho ou injusto, mas a explicação é o modelo de correção adotado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep): Teoria de Resposta ao Item (TRI).
A TRI beneficia quem realmente se preparou para o exame. Por exemplo: se alguém acerta as questões mais difíceis, mas erra aquelas consideradas fáceis, tirará uma nota menor do que o aluno que foi mais “coerente” e só errou as complexas. Ou seja, é basicamente um sistema que tenta detectar os “chutes” (veja vídeo abaixo).
Nota do Enem é calculada por método ‘antichute’; saiba como funciona o TRI
Por isso mesmo, é importante garantir que as perguntas mais simples estejam corretas. Melhor, então, começar por elas, antes que o cansaço aumente.
“Insistir em uma questão difícil e depois não ter tempo de fazer a fácil pode te dar uma nota menor do que a de quem acertou as fáceis e médias, e só fez o ‘feijão com arroz’ nas difíceis”, explica Jonas Stanley, diretor de operações pedagógicas da Inspira Rede de Educadores.
Anderson Rodrigues, diretor pedagógico do colégio Oficina do Estudante, recomenda que o candidato leia a prova inteira três vezes:
Na 1ª leitura: resolva todas as questões que podem ser solucionadas rapidamente.
Na 2ª leitura: responda às questões que deixaram apenas uma dúvida pontual.
Na 3ª leitura: faça as mais longas ou sobre assuntos não tão comuns no Enem.
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2- Assinalar as perguntas que forem “puladas”
Seguindo a dica número 1, o aluno não vai resolver a prova de forma linear. É preciso tomar cuidado, então, para não esquecer alguma questão e só perceber na hora de passar as respostas a limpo no gabarito.
Quando decidir “pular” alguma pergunta, o ideal é fazer algum sinal gráfico ao lado do enunciado (pode ser um “x” ou um asterisco, por exemplo).
3- Intercalar a redação e as perguntas
Uma observação importante: o candidato pode intercalar as etapas de prova. Ele não é obrigado a escolher resolver 100% das perguntas e só depois partir para a redação ou vice-versa.
Veja só um exemplo:
Fazer uma primeira leitura da prova inteira e resolver as perguntas fáceis.
Preparar o projeto de texto. Os enunciados das questões objetivas, já lidas na primeira etapa, podem inspirar o aluno na redação.
Escrever o rascunho e revisá-lo.
Retomar os testes.
Passar a redação a limpo e transferir as respostas para o gabarito (de olho no tempo).
Retângulos pretos mostram opções de espaço para o aluno escrever o ‘rascunho do rascunho’ da redação
Reprodução/Inep
4- Reservar, no máximo, 1 hora e meia para a redação
Fazer a redação é um processo que envolve:
ler a proposta e a coletânea de materiais de apoio;
montar um planejamento de texto (em itens, por exemplo, com as ideias gerais que serão abordadas);
escrever o rascunho;
revisar;
passar tudo a limpo.
No primeiro domingo, serão 5 horas e meia de prova. Para dar tempo de resolver as 45 questões de linguagens e as 45 de ciências humanas, a professora Isabel Sodré, da plataforma virtual Descomplica, recomenda que o aluno reserve 90 minutos, no máximo, para a redação. Assim, sobrarão 4 horas para o restante.
É claro que essa administração do tempo varia de acordo com o perfil do candidato. “Alguns gastam 40 minutos para conseguir passar o texto para a folha oficial com letra legível. Outros conseguem em 20”, afirma Maria Catarina Bozio, coordenadora Poliedro Colégio, na unidade de São José dos Campos.
5- Dividir o tempo por etapas, e não por perguntas
Não é preciso ter rigidez ao definir o tempo máximo gasto em cada pergunta — até porque algumas demandarão mais do que outras.
Segundo Rodrigues, da Oficina do Estudante, o ideal é pensar na prova em três ciclos (redação, linguagens e ciências humanas) e dividir as 5 horas e meia entre eles.
Se o aluno reservar 90 minutos para o texto, por exemplo, terá 2 horas para cada uma das outras fases. Percebeu que, após 1 hora, ainda não chegou nem à metade da prova de linguagens? Hora de acelerar.
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