Os ministérios do Esporte e das Mulheres divulgaram neste domingo nota conjunta em que classificam como “absurdo” o episódio de desrespeito profissional movido a machismo contra a árbitra de futebol, Daiane Muniz. Ele foi alvo de declarações misóginas do jogador Gustavo Marques, zagueiro do Red Bull Bragantino. Neste sábado (21/2), após derrota para o São Paulo por 2 a1, que eliminou seu time nas quarta de final do campeonato paulista, o atleta declarou que a Federação Paulista de Futebol não deveria “colocar uma mulher” para apitar um “jogo desse tamanho”.
No comunicado, os ministérios do Esporte e da Mulheres afirmam repudiar com veemência as declarações do zagueiro. E manifestam solidariedade à árbitra Daiane Muniz e a todas as mulheres que atuam no futebol, dentro e fora de campo. “Daiane Muniz é uma árbitra FPF/CBF/FIFA altamente qualificada e um homem na mesma posição jamais seria desqualificado pelo fato de ser homem. Ainda que houvesse discordância sobre sua atuação, sua competência não seria questionada por ser homem. Esse é o ponto central que precisa ser enfrentado”, acentuam as pastas.
O respeito às mulheres é inegociável. Mulher deve estar onde ela quiser — no campo, na arbitragem, na gestão, na imprensa ou em qualquer outro espaço. Ser mulher não diminui competência, autoridade ou capacidade.”
Familiares do jogador, esposa e irmã, segundo ele próprio, reagiram duramente ao gesto machista e fizeram com que o Gustavo Marques se desculpasse ainda na zona mista, antes de deixar o estádio. O direção do Red Bull Bragantino e a FPF também condenaram as declarações.
A Federação destacou que conta com 36 árbitras em seu quadro e que trabalha para que esse número cresça. E anunciou que as declarações serão enviadas às Justiça Desportiva para que “providências cabíveis” sejam tomadas.
Os dois ministérios já haviam emitido manifestação de repúdio a uma homenagem feita por jogadores do Vasco da Gama do Acre a três atletas do time que foram presos por acusação e estupro coletivo contra duas mulheres no alojamento do clube.
O episódio ocorreu na noite de quinta-feira (19), antes da partida contra o Velo Clube (SP), válida pela primeira fase da Copa do Brasil. Na foto oficial da equipe, jogadores exibiram as camisas dos colegas presos em gesto de apoio. A partida também marcou a estreia do goleiro Bruno Fernandes das Dores de Souza, condenado pelo homicídio triplamente qualificado da modelo Eliza Samudio.
“É inaceitável que o esporte , espaço de formação e inspiração para a juventude, seja utilizado para naturalizar ou relativizar a violência contra a mulher”, afirmaram os ministérios do Esporte e das Mulheres.
Semana de agressões racistas e machistas
A semana teve ainda outro episódio de grave repercussão que levou o Governo do Brasil a se manifestar. Na terça (17), uma agressão racista foi dirigida ao atacante Vini Jr., do Real Madrid, pelo atacante argentino Gianluca Prestianni, do Benfica. O episódio, ocorrido após Vini marcar contra o clube português, em disputa por uma vaga nas oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa, levou à paralisação da partida por 11 minutos para acionamento do protocolo antirracismo.
“Os ministérios (da Igualdade Racial e do Esporte) reconhecem a importância do acionamento do protocolo antirracismo durante a partida e destacam a abertura de investigação anunciada pela UEFA. O governo brasileiro acompanhará de perto a apuração dos fatos, com a expectativa de que sejam adotadas medidas firmes para responsabilizar os envolvidos e prevenir novos episódios”.
Em 2025, o Ministério da Igualdade Racial e o Ministério do Esporte firmaram protocolo de intenções para intensificar o combate ao racismo, com ações de conscientização, formação e monitoramento da discriminação racial no ambiente esportivo.



