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Um perfil no Instagram chamado “@dra.tatianasampaiooficial” exibe a imagem e o nome da bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que lidera uma pesquisa sobre a polilaminina (substância alvo de estudos que avaliam sua eficácia na recuperação de movimentos de pacientes com lesão na medula), é falso.
O perfil falso viralizou no momento em que a polilaminina se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais – inclusive com imagens de pacientes com lesão medular que passaram a frequentar a academia.
- A polilaminina é um composto recriado em laboratório a partir da laminina (proteína produzida no corpo humano, especialmente durante o desenvolvimento embrionário, quando exerce papel fundamental na organização dos tecidos e no crescimento celular).
- Em sua pesquisa, Tatiana Sampaio usava a substância para tratar lesões medulares agudas, ou seja, recentes e que deixaram as pessoas sem os movimentos.
- A cientista conseguiu bons resultados em animais e, posteriormente, em um pequeno grupo de pessoas. Isso levou à parceria com um laboratório nacional e à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o início da pesquisa que deve responder à seguinte questão: “A polilaminina funciona mesmo como tratamento para pessoas com lesão medular aguda?”.
Tatiana explicou: “Ainda não é um feito, é uma promessa de tratamento. No dia em que ele estiver registrado, as pessoas usarem e todas elas recuperarem a função, se todo mundo voltar a andar, aí, sim, fizemos uma revolução”. A cautela decorre do fato de ainda ser necessário cumprir todo o processo exigido para que uma substância se prove segura e eficaz.
- O estudo preliminar envolveu oito pacientes com lesão medular aguda e apontou diferentes níveis de recuperação motora. Nem todos tiveram recuperação completa — o caso que viralizou nas redes sociais não representa o resultado observado em todos os participantes.
- A repercussão mobilizou pacientes e familiares de pessoas com lesão medular. Com isso, dezenas acionaram a Justiça para ter acesso à substância. O Brasil tem uma resolução que permite o uso compassivo de medicamentos ainda em fase de análise, mas o processo exige avaliação da Anvisa. Como a polilaminina precisa ser aplicada em até 72 horas após a lesão, as decisões judiciais pediam celeridade.
- Os resultados ainda não passaram por revisão por pares, processo em que especialistas independentes analisam a metodologia, os dados e as conclusões. Essa etapa é considerada fundamental para validar achados na ciência.
- Como o estudo foi feito com um grupo pequeno de pessoas, não é possível afirmar, com base nesses dados, que a substância é realmente eficaz. Amostras reduzidas dificultam conclusões definitivas. Ainda mais porque as lesões são de diferentes níveis.
- Não há evidência científica de que a polilaminina possa funcionar no tratamento de lesões medulares crônicas, em pacientes que já têm a paralisia há algum tempo. Isso não foi pesquisado nessa etapa.
Fonte: G1.



