
Indígenas e quilombolas são os mais conhecidos, mas há também outros grupos espalhados pelo país, como os ribeirinhos, os ciganos e os pantaneiros Casas do território kalunga, no nordeste de Goiás, são de barro e telhado de palha. Foto de 2019
Fábio Tito/g1
Tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste ano, o Brasil tem mais de 20 povos e comunidades tradicionais reconhecidos. Os mais famosos são os indígenas e os quilombolas, mas há outros grupos espalhados pelo país (confira a lista mais abaixo).
Segundo a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, “povos e comunidades tradicionais são grupos culturalmente diferenciados e que se reconhecem como tais, que possuem formas próprias de organização social, que ocupam e usam territórios e recursos naturais como condição para sua reprodução cultural, social, religiosa, ancestral e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas gerados e transmitidos pela tradição”.
Os povos e comunidades tradicionais do Brasil estão presentes em praticamente todos os estados, de acordo com a Comissão Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT).
“Muitos destes povos e comunidades extraem da biodiversidade brasileira os recursos para sua manutenção e reprodução social e lutam para preservar sua identidade e territórios. A valorização de aspectos culturais como festas, religiosidade, os modos de vida e produção caminha lado a lado com o processo de organização social desses grupos, visando tratar de questões essenciais a esses segmentos como: o acesso ao território, à terra; o enfrentamento de processos discriminatórios e de ameaças à sua cultura e modo de viver”, explica a CNPCT.
Um desses grupos é conhecido como comunidades de fundo e fecho de pasto, cujas características são criar animais em áreas coletivas, vivendo da agricultura de subsistência e da coleta de frutos e plantas medicinais do Cerrado e da Caatinga.
Os povos do fundo e fecho de pasto surgiram por volta de 1750 no Brasil.
Acervo ISPN/Raisa Pina
Outra comunidade é a dos cipozeiros, pessoas que vivem da extração do cipó no país e o utiliza para artesanato. De acordo com a Comissão Nacional para o Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, estudos apontam que os cipozeiros são descendentes de colonizadores de origem europeia (alemães, poloneses, italianos e portugueses).
Artesanato com cipó feito por Tania Pereira, cipozeira de Paranaguá (PR)
Arquivo Pessoal
Eles passaram a viver em pequenas propriedades na área rural e a dependerem do trabalho com cipó, planta nativa do Nordeste, Sudeste e Sul do Brasil.
Outro grupo reconhecido no país é o dos ciganos. Segundo a CNPCT, trata-se de um povo originário possivelmente do norte da Índia, que se dispersou entre Ásia, Europa, norte da África há cerca de mil anos, e posteriormente pela América.
“O primeiro registro da chegada de ciganos no Brasil data de 1574. Geralmente são nômades (mas em alguns casos sedentários por opção ou por obrigação), que prezam pela liberdade e valorizam a própria cultura. Falam tanto a língua Romani como o Chibe, de acordo com a origem e etnia cigana. Desenvolveram ao longo dos séculos várias etnias e subgrupos dentro das etnias, de acordo com as especificidades e variedades de raízes, origens, culturas e territórios que ocuparam. Também possuem forte senso familiar”, explica a Comissão.
As principais etnias são Rom (ou Roma), Calon (ou Kalon) e Sinti, das quais derivam diversos grupos menores, cada um com especificidades culturais, religiosas, territoriais e linguísticas.
Veja a lista de povos e comunidades tradicionais:
Andirobeiras
Apanhadores de Sempre-vivas
Caatingueiros
Caiçaras
Castanheiras
Catadores de Mangaba
Ciganos
Cipozeiros
Extrativistas
Faxinalenses
Fundo e Fecho de Pasto
Geraizeiros
Ilhéus
Indígenas
Isqueiros
Morroquianos
Pantaneiros
Pescadores Artesanais
Piaçaveiros
Pomeranos
Povos de Terreiro
Quebradeiras de Coco Babaçu
Quilombolas
Retireiros
Ribeirinhos
Seringueiros
Vazanteiros
Veredeiros



