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A ONU não pode ficar silenciosa’, diz Lula ao defender reforma da governança global, em Barcelona

A ONU não pode ficar silenciosa’, diz Lula ao defender reforma da governança global, em Barcelona

Agência Gov | Via Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste sábado, 18 de abril, que o fortalecimento do multilateralismo e a reforma das instituições de governança global são essenciais para enfrentar os conflitos armados, ampliar a cooperação entre as nações e proteger a democracia. Durante a 4ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia, em Barcelona, na Espanha, Lula cobrou mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas para que o organismo tenha mais representatividade e capacidade de resposta diante de crises internacionais.

A democracia em cada país nosso é da nossa responsabilidade, da responsabilidade cultural do nosso povo. Nós vamos nos virar e o povo de cada país vai encontrar o seu jeito de fazer democracia. Mas o que nos move com muita força é a questão do multilateralismo e a relação entre as nações. Isso é o que me preocupa”, declarou.

REFORMA DA ONU — Lula destacou a necessidade de o planeta defender mudanças estruturais na governança mundial, com ênfase na ampliação e democratização do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, é necessário que os organismos internacionais tenham capacidade real de intervir diante de crises humanitárias e conflitos armados, de modo a preservar a paz e os direitos humanos.

“Hoje é o momento da história da maior quantidade de conflitos armados no mundo depois da Segunda Guerra Mundial. E o Conselho de Segurança da ONU não se reúne. Os seus membros titulares não comparecem. Precisamos exigir que o secretário-geral da ONU convoque reuniões extraordinárias, mesmo sem pedir para os cinco membros do Conselho de Segurança. A ONU não pode ficar silenciosa e ver o que está acontecendo no mundo”, defendeu.

Segundo o presidente, a configuração atual do sistema multilateral não reflete a realidade geopolítica contemporânea nem assegura a participação equilibrada das nações nas decisões globais. “Hoje as Nações Unidas não representam aquilo para o qual ela foi criada. Os cinco membros do Conselho de Segurança, que quando se criou o Conselho era para garantir a paz no mundo após a Segunda Guerra Mundial, viraram os senhores da guerra”, disse.

GOVERNANÇA GLOBAL — Lula destacou que o fortalecimento das instituições multilaterais é fundamental não apenas para a promoção da paz, mas também para enfrentar desafios transnacionais, como a desinformação e a regulação das plataformas digitais.

“Controlar plataformas digitais e por regras democráticas é uma questão mundial, não é uma questão de um país ou de outro. No Brasil, estamos tentando fazer a nossa parte. Porque a verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade. Esse é o dado concreto. Ou seja, para mentir, não tem que explicar. Para se justificar, tem que explicar. E muitas vezes não consegue se explicar. Então, esse é um desafio para nós, chefes de Estado. Porque nós não podemos ficar imaginando fazer coisas sem uma instituição para fazer funcionar”, argumentou.

SOBERANIA DIGITAL — Ao tratar da soberania digital, o presidente defendeu que o ambiente virtual também seja regulado por mecanismos multilaterais, com regras comuns que preservem a soberania dos países e protejam a integridade democrática.

“A ONU é um instrumento muito valioso se ela funcionar. E ela precisa funcionar para garantir que, por exemplo, as plataformas sejam reguladas no mundo inteiro, para todo mundo. Não pode um presidente da República de um país interferir na eleição de outro, pedir voto para outro. Cadê a soberania eleitoral? Cadê a soberania territorial? Ou seja, esse é o tema que nós precisamos discutir e nos fazer ouvir. E qual é o cenário que a gente tem que brigar? É dentro das Nações Unidas”, sinalizou o presidente.

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