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Bahia registra 5,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e 172 mortes

Bahia registra 5,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave e 172 mortes

Foto: Divulgação

Por Livia Veiga

A Bahia registrou 5.384 casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) entre janeiro e a primeira quinzena de junho deste ano, com 172 mortes confirmadas no período. Os dados constam no boletim epidemiológico mais recente da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), atualizado até a 23ª semana epidemiológica, e acendem um alerta para o avanço das doenças respiratórias em meio à aproximação do inverno.

O número de casos representa uma incidência de 36,2 registros por 100 mil habitantes no estado. Embora o total esteja ligeiramente abaixo do observado no mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 5.737 casos e 285 óbitos, a circulação de diferentes vírus respiratórios mantém elevada a demanda por atendimento e internações na rede de saúde.

As crianças concentram a maior parte das notificações registradas em 2026. Os dados da Sesab mostram que menores de um ano responderam por 1.764 casos, o equivalente a 32,8% de todas as ocorrências, enquanto crianças de 1 a 4 anos somaram 1.451 registros, ou 27% do total estadual.

Somadas, as faixas etárias de zero a quatro anos representam quase seis em cada dez casos de SRAG registrados na Bahia neste ano. Em alerta epidemiológico divulgado neste mês, a Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Sesab destaca que a população infantil permanece entre os grupos mais vulneráveis às infecções respiratórias graves e demanda atenção especial dos serviços de saúde.

Os idosos também aparecem entre os grupos mais afetados pela doença. Entre pessoas com 80 anos ou mais foram registrados 316 casos e 52 mortes, enquanto a faixa de 70 a 79 anos contabilizou 222 casos e 26 óbitos, números que refletem a maior gravidade das infecções respiratórias nos extremos de idade.

A macrorregião Leste, que inclui Salvador e municípios da Região Metropolitana, concentra o maior volume de notificações do estado. Foram 2.470 casos, o equivalente a 45,9% de todas as ocorrências registradas na Bahia, seguida pelas regiões Sudoeste, com 813 casos, e Norte, com 596.

Entre os municípios, Salvador lidera o número de registros de SRAG. Segundo o alerta epidemiológico da Sesab, a capital contabilizou 1.477 casos até a 20ª semana epidemiológica, seguida por Juazeiro, com 385, Vitória da Conquista, com 299, e Feira de Santana, com 185 ocorrências.

Os vírus respiratórios diferentes da influenza e da Covid-19 respondem pela maior parcela dos casos graves registrados no estado. O boletim aponta 2.378 casos associados a outros vírus respiratórios, com 35 mortes, enquanto a influenza foi responsável por 722 casos e 14 óbitos, e a Covid-19 por 119 casos e 13 mortes.

Entre os agentes virais identificados, o rinovírus aparece como o principal responsável pelas infecções respiratórias graves confirmadas laboratorialmente. Até junho, foram registrados 1.032 casos relacionados ao vírus, seguido pelo Vírus Sincicial Respiratório (VSR), com 625 ocorrências, ambos com ampla circulação no território baiano.

Os dados laboratoriais mais recentes reforçam essa tendência. No conjunto das amostras positivas para outros vírus respiratórios analisadas pela vigilância epidemiológica, o rinovírus representou cerca de metade das detecções, enquanto o VSR respondeu por aproximadamente 40% dos resultados positivos.

Chegada do inverno

Diante da proximidade do inverno e da sazonalidade dos vírus respiratórios, a Sesab emitiu alerta para intensificação da vigilância epidemiológica e da assistência aos pacientes com sintomas respiratórios graves. O documento orienta municípios e unidades de saúde a reforçarem a notificação de casos, a coleta de amostras laboratoriais e a organização da rede assistencial para enfrentar um possível aumento da demanda.

Outro ponto de preocupação destacado pela secretaria é a cobertura vacinal contra a influenza. Segundo o alerta, todos os grupos prioritários permanecem abaixo das metas estabelecidas pelo Ministério da Saúde, com índices especialmente baixos entre crianças de seis meses a menores de seis anos e idosos acima de 60 anos.

Na macrorregião Leste, por exemplo, apenas 21,38% das crianças do público-alvo haviam sido vacinadas contra a gripe até o fim de maio. Entre os idosos da mesma região, a cobertura alcançava 33,01%, percentual também considerado insuficiente diante do risco de complicações associadas às doenças respiratórias.

A Sesab também chama atenção para a necessidade de ampliar a vacinação contra o Vírus Sincicial Respiratório, incorporada ao calendário nacional para gestantes, e para a utilização do anticorpo monoclonal nirsevimabe em crianças elegíveis. Segundo o órgão, essas estratégias buscam reduzir hospitalizações e mortes entre recém-nascidos e lactentes, grupo que apresenta elevada vulnerabilidade às infecções respiratórias graves. Além da imunização, a secretaria recomenda a adoção de medidas preventivas como etiqueta respiratória, isolamento de pessoas sintomáticas, uso de máscaras em caso de síndrome gripal e busca precoce por atendimento médico diante de sinais de agravamento. A orientação também inclui a manutenção dos estoques de antiviral nas unidades de saúde e o monitoramento contínuo da circulação viral em todo o estado.

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