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As convenções partidárias começaram ontem com decisões centrais da disputa presidencial ainda em aberto. Temas que tradicionalmente chegam definidos a esse momento da eleição, como a escolha dos vices, a montagem de palanques estaduais e a composição das principais alianças políticas, seguem em negociação entre os presidenciáveis. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) concentra algumas das principais indefinições, mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros candidatos também chegam ao período com impasses que deverão ser resolvidos até 5 de agosto.
Embora costumem apenas formalizar acordos já fechados nos bastidores, as convenções deste ano começam com decisões centrais ainda em aberto e deverão funcionar também como uma etapa decisiva de negociação. Entre 20 de julho e 5 de agosto, partidos e federações oficializam seus candidatos e definem as alianças para a eleição de outubro. As federações reúnem duas ou mais siglas, que passam a atuar como uma única legenda por pelo menos quatro anos.
A convenção de Flávio está marcada para 25 de julho, em São Paulo. O senador chega à etapa com impasses em diferentes frentes, entre elas a escolha do nome que ocupará a vice em sua chapa. Como mostrou o Estadão, há consenso na pré-campanha sobre a necessidade de escolher uma mulher para o posto. A preferência já havia sido manifestada pelo próprio Flávio como forma de reduzir a rejeição entre o eleitorado feminino, mas ganhou peso após a crise com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que publicou um vídeo com críticas ao senador e aos demais enteados.
O consenso, porém, não se estende ao perfil da escolhida. De um lado, estão nomes mais identificados com o núcleo ideológico do bolsonarismo, como Bia Kicis (PL-DF) e Júlia Zanatta (PL-SC). De outro, opções vistas como mais técnicas e moderadas, caso da ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos) e da senadora Tereza Cristina (PP-MS). Na quinta-feira passada, 16, Flávio reiterou a preferência por uma mulher e citou Daniella, além das deputadas do PP Simone Marchetto (SP) e Clarissa Tércio (PE).
A decisão esbarra ainda na construção de alianças com outras legendas. No caso do PP, uma eventual aproximação depende de recompor a relação entre Flávio e o senador Ciro Nogueira (PI), presidente da sigla e dirigente da federação União-PP. Os dois se afastaram após os desdobramentos do caso Banco Master.
O Republicanos também condiciona uma possível adesão a acordos estaduais ainda pendentes. Em troca do apoio a Flávio na disputa presidencial, a legenda busca o respaldo do PL a candidaturas aos governos e ao Senado em diferentes Estados. Neste momento, porém, integrantes do partido ouvidos pelo Estadão apontam tendência de neutralidade na corrida ao Planalto.
Fonte Estadão


