Inspirada nas raízes de Camaçari, Orquestra Caraípa celebra oito anos de história

Inspirada nas raízes de Camaçari, Orquestra Caraípa celebra oito anos de história

A música tem o poder de guardar histórias, despertar lembranças e aproximar gerações. Foi sob essa atmosfera de emoção e pertencimento que o Teatro Cidade do Saber (TCS) recebeu, na noite de quarta-feira (28), o concerto comemorativo pelos oito anos da Orquestra Caraípa.

Ao longo da apresentação, que entrelaçou arte, memória e identidade, o grupo celebrou a trajetória com um repertório afetivo e participações especiais, a exemplo do cantor Richard Borges, bem como da Banda Sinfônica do Conservatório de Música e do Coral Vozes da Cidade, ambos frutos da Cidade do Saber (CDS), reafirmando a força da música como expressão da cultura e instrumento de encontro no município.

Para o maestro e regente da Orquestra Caraípa, Saulo Guilhermo, a celebração simboliza a continuidade de um trabalho construído coletivamente. “Cada apresentação leva um pouco da nossa história de resistência, carregada pelo amor que temos por Camaçari e pela formação de novos talentos. Para ter ideia, 90% dos músicos que se apresentaram hoje estão pisando pela primeira vez no palco de um teatro”, disse.

O concerto reuniu canções que acompanharam diferentes momentos da caminhada da orquestra, em uma viagem musical capaz de atravessar gerações e aproximar sensibilidades. Entre os destaques estavam músicas, como “Drão”, de Gilberto Gil, e “Smile”, clássico internacional eternizado na composição de Charles Chaplin, obras que encontraram na interpretação orquestral novas nuances e significados.

Integrante da orquestra há cerca de sete meses, Verônica Santana, 26 anos, falou da emoção de celebrar a data. “Tocar violoncelo na orquestra é gratificante. Estou há pouco tempo com os músicos, mas sei da importância que eles possuem na história cultural da cidade, ao preservar esse carinho e o acesso à música clássica”, assegurou.

Flávia Lima, 14 anos, toca saxofone na Caraípa há cerca de nove meses. Para ela, a orquestra tem um papel fundamental na valorização da identidade do município. “Desde mais nova que eu escuto sobre a orquestra e agora integrar, e já comemorar esses oito anos, vai ficar marcado. Tenho sonho de crescer na música clássica e, com certeza, a Caraípa faz parte desse caminho na minha vida e na de muitos outros jovens e músicos”, afirmou.

Entre os espectadores, a emoção também se revelou nas experiências individuais de quem acompanhou o espetáculo. Moradora do Bairro Novo, a jovem Tayla Nascimento de Jesus, 14 anos, estudante do Conservatório de Música da CDS, destacou que a apresentação foi uma oportunidade de se reconectar com a cidade.

“Eu toco trompa, sou filha de um músico, cresci com a música fazendo parte da minha vida, tenho amigos que estão na Caraípa e não poderia deixar de vir. Gostaria de dizer para as pessoas que venham, também, prestigiar eventos como esse. A apresentação foi gratuita, e foi uma chance de beber de uma fonte tão rica, que é a música clássica, mas muitas vezes pouco valorizada e acessível”, compartilhou.

Já Alessandra Evangelista dos Reis, 50 anos, se emocionou ao ver a filha se apresentar pela primeira vez. “Minha menina, Roberta Sofia, é a primeira da família que resolveu entrar nesse mundo da música. Ela entrou na Caraípa no início do ano e hoje participa dessa festa. Estou muito feliz, é um orgulho grande. Vida longa à essa orquestra”, declarou a moradora do Dois de Julho.

A relação entre cultura, território e memória está presente até mesmo no nome da orquestra. Caraípa é uma referência à Caraipa densifolia, árvore nativa da família Calophyllaceae, associada à origem do nome Camaçari. Segundo a tradição etimológica, a denominação remete à expressão indígena Tupinambá “árvore que chora”, em referência às gotículas que recobrem suas folhas durante a noite.

“Eu conheço de perto a luta do maestro e amigo Saulo para manter essa orquestra sempre atuante na cidade. Fazer parte dessa comemoração hoje é lembrar e potencializar a força da cultura, da música clássica em Camaçari e dos artistas”, relatou o maestro Marcos Café, regente da Banda Sinfônica do Conservatório de Música da CDS.

A noite também teve um significado especial por coincidir com o Dia do Servidor Público, celebrado na mesma data. A ocasião foi marcada por uma homenagem aos profissionais cuja dedicação diária é fundamental para o funcionamento dos serviços públicos e para o desenvolvimento de Camaçari.

Foto: Juliano Sarraf

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