
Refúgio de R$ 250 mil foi financiado por uma bolsa de pesquisa científica do governo. Lee Tae-goo diz que há falta de abrigos públicos na Coreia do Sul. Professor de arquitetura Lee Tae-goo mostra bunker capaz de resistir a um ataque nuclear construído por ele na Coreia do Sul
Anthony Wallace / AFP
Caso a Coreia do Norte lance um ataque nuclear contra a Coreia do Sul, o professor de arquitetura Lee Tae-goo está preparado. Ele se refugiará em seu bunker construído para este caso e ficará no subsolo por pelo menos duas semanas, para evitar a radiação.
Com grossas paredes de concreto, portas de aço reforçadas e um sistema de purificação de ar, Lee diz que seu refúgio, cavado a um metro abaixo do solo, pode protegê-lo de um desastre nuclear e resistir o impacto direto de um míssil convencional.
Construído em sua propriedade na cidade de Jecheon, cerca de 120 quilômetros ao sudeste da capital Seul, o bunker financiado pelo governo faz parte de uma campanha do professor para persuadir os sul-coreanos a se prepararem mais seriamente para um eventual ataque nuclear.
“A apenas 100 quilômetros daqui temos a Coreia do Norte, de onde podem chegar mísseis nucleares ou biológicos”, disse Lee à AFP.
O arquiteto também está muito preocupado com um possível acidente como Fukushima, no Japão, em um dos antigos reatores nucleares sul-coreanos.
“Há uma falta de refúgio público e, em muitos casos, eles estão longes”, acrescenta ele.
Desde o fim da Guerra da Coreia, em 1953, com uma trégua no lugar de um tratado de paz, os dois países seguem tecnicamente em guerra.
Os dois lados se acusam recorrentemente de provocações que podem precipitar um conflito aberto.
A Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e seu atual líder, Kim Jong Un, intensificou recentemente seu programa de armas, apesar de proibido pela ONU. Além disso, incluiu exercícios que simulam ataques nucleares táticos em seu vizinho do sul.
Ainda que os militares sul-coreanos afirmem estar “preparados ao máximo” em caso de ataque, Lee acha que os civis se esqueceram da guerra e não estão preparados.
Professor de arquitetura Lee Tae-goo mostra bunker capaz de resistir a um ataque nuclear construído por ele na Coreia do Sul
Anthony Wallace / AFP
Refúgios militares de primeira classe
A Coreia do Sul tem uma rede com mais de 17 mil abrigos nucleares ao seu dispor, com cerca de 3.000 em Seul, segundo dados do Ministério do Interior.
As estações de metrô da capital servem como refúgios antiaéreos, mas não protegem contra um ataque nuclear.
Na década de 1970, o país contava com uma lei que exigia que alguns edifícios nas grandes cidades possuíssem um porão que pudesse servir de bunker em caso de guerra.
Mas, devido aos altos preços dos imóveis em Seul, a maioria dos prédios privados transformaram os porões em estacionamentos ou em moradias subterrâneas, famosos por conta do filme “Parasita”, vencedor do Oscar.
A Coreia do Sul tem “um sistema de abrigo de primeira classe para os militares”, mas “o lado civil ficou muito para trás”, diz o professor.
A construção de seu bunker custou 70 milhões de won (cerca de R$ 250 mil) sem contar a mão de obra. Lee solicitou uma bolsa de pesquisa para o Ministério de Educação e ganhou.
Lee garante ter recebido vários pedidos para consultar sua planta, entre eles de oficiais da força aérea sul-coreana que visitaram o bunker este ano.
Professor de arquitetura Lee Tae-goo mostra bunker capaz de resistir a um ataque nuclear construído por ele na Coreia do Sul
Anthony Wallace / AFP
Manter em segredo
Em uma exposição em Seul, a Chumdan Bunker System, empresa local, começou a vender abrigos antinucleares em 2017, ano que Kim encomendou o último teste atômico.
O site da companhia anuncia “um bunker subterrâneo capaz de resistir a explosões nucleares, radiação e agentes químicos”.
O interesse em seus produtos aumentou, mas isso não quer quer dizer um crescimento das vendas, reconhece a empresa.
“Houve um aumento no tráfego online em nosso site, mas o número de pedidos permanece o mesmo”, diz um empregado da Chumdan à AFP.
O professor reitera que as pessoas que constroem bunkers preferem manter em segredo para evitar a ligação de amigos, familiares e vizinhos em caso de emergência.
“Quando construí este bunker, muitas pessoas me disseram que viriam se o país fosse atacado. Mas só cabem 12 pessoas neste abrigo”, conta Lee.
Veja mais fotos do bunker do Lee:
Professor de arquitetura Lee Tae-goo mostra bunker capaz de resistir a um ataque nuclear construído por ele na Coreia do Sul
Anthony Wallace / AFP
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