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Sob protesto, líderes mundiais participam de polêmico funeral de Estado de Shinzo Abe no Japão

Sob protesto, líderes mundiais participam de polêmico funeral de Estado de Shinzo Abe no Japão

Milhares de japoneses foram às ruas contra cerimônia oficial para ex-premiê, assassinado em julho com dois tiros enquanto fazia um comício. Kamala Harris, dos EUA, e Narendra Modi, da Índia, estão entre os representantes de governos mundiais que participam de funeral nesta terça. Milhares de japoneses e chefes de governos mundiais participam nesta terça-feira (26) do funeral de Estado do ex-primeiro-ministro Shinzo Abe, assassinado em julho quando participava de um comício de seu partido.
A cerimônia, normalmente dada a governantes e ex-governantes, causou controvérsia e protestos nos últimos dias.
Abe foi o premiê que ocupou o cargo por mais tempo e uma das figuras mais reconhecidas do país, lembrado por cultivar alianças internacionais e por sua estratégia econômica apelidada de “Abenomics”.
Renunciou em 2020 por um problema de saúde recorrente, mas continuou como uma importante figura pública e fazia campanha pelo partido do governo quando um homem armado o matou a tiros em 8 de julho.
O assassinato estremeceu o país, que tem baixos níveis de crimes violentos, e motivou condenações internacionais.
Mas a decisão de organizar para ele um funeral de Estado, o segundo para um ex-primeiro-ministro no pós-guerra, gerou uma crescente oposição, com cerca de 60% dos japoneses contrários ao evento, segundo pesquisas recentes.
O homem preso por sua morte o atacou por acreditar que ele tinha vínculos com a Igreja da Unificação, com a qual estava irritado devido às grandes doações feitas por sua mãe à chamada “seita Moon”.
O fato levou a um novo escrutínio desse grupo religioso e seus métodos de arrecadação de fundos, e perguntas desconfortáveis para a classe política japonesa. O partido do governo admitiu que metade de seus legisladores tem ligações com a igreja.
O premiê Fumio Kishida prometeu que seu Partido Liberal Democrático (PLD) romperá relações com a igreja, mas o escândalo agravou o incômodo com o funeral de Estado.
Milhares protestaram pela cerimônia e um homem ateou fogo a si mesmo perto do gabinete do primeiro-ministro, deixando um bilhete se opondo. Alguns legisladores de oposição anunciaram que vão boicotar o funeral.
Há várias razões por trás da polêmica, incluindo a acusação de que Kishida aprovou a cerimônia unilateralmente, sem consultar o Parlamento, enquanto outros reprovam o custo de quase 12 milhões de dólares do funeral de Estado.
Também pesam o legado polarizante da gestão de Abe, marcada por denúncias de nepotismo, a rejeição a seu nacionalismo e seus planos de reformar a constituição pacifista.
Presença internacional
O governo de Kishida espera que a solenidade do evento, com cerca de 4.300 participantes, incluindo 700 convidados estrangeiros, acabe com a controvérsia.
Quando a família de Abe realizou um funeral privado, milhares de japoneses foram prestar suas homenagens e muitos devem comparecer na manhã desta terça para deixar flores perto do local do funeral em Tóquio.
A previsão é que as cinzas de Abe cheguem ao local ao som de uma salva de 19 tiros, e o porta-voz do governo Hirokazu Matsuno dê início à cerimônia por volta das 14h locais (2h no horário de Brasília), antes do hino nacional e um momento de silêncio.
Haverá discursos de Kishida e outros políticos, como Yoshihide Suga, que substituiu Abe quando ele deixou o cargo de primeiro-ministro.
O imperador e a imperatriz do Japão não vão participar por serem figuras nacionais neutras, mas o príncipe herdeiro Akishino e sua esposa devem levar flores no final do serviço de 90 minutos.
Estarão presentes a vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e líderes mundiais como os primeiros-ministros da Índia, Narendra Modi, e Austrália, Anthony Albanese.
Já o premiê canadense, Justin Trudeau, desistiu de participar após o impacto do furacão Fiona em seu país.
O evento contará com uma enorme operação de segurança, responsável por grande parte do custo do funeral.
As deficiências de segurança que permitiram que um atirador se aproximasse de Abe levaram a uma reforma da polícia. A mídia local informa que 20 mil policiais estarão presentes para proteger o funeral.

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